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medico analisando resultado de exame com paciente

Medicina de Família e Comunidade: a continuação e a atualização do ‘médico de antigamente’

Seguindo com a nossa série de artigos sobre Residência e as especialidades médicas, hoje a Associação de Medicina de Família e Comunidade do Estado do Rio de Janeiro fala tudo sobre a área!

1) O que é?

A Medicina de Família e Comunidade (MFC) é uma especialidade médica caracterizada por atender as pessoas ao longo de suas vidas, independentemente de gênero, idade ou possível doença, reunindo ações de promoção e recuperação da saúde em situações agudas ou crônicas – assim, observa-se que é capaz de resolve em torno de 85% dos problemas de saúde apresentados por essas pessoas.

Para isso se vale de alguns conceitos importantes, como: uma visão holística que considera sempre os contextos biológico, psicológico e social e suas interações; a continuidade da atenção mesmo quando a pessoa precisa ser vista por outros profissionais, idealmente mantendo contato e coordenando as atividades dos mesmos para a obtenção de melhores resultados; um atendimento centrado na pessoa atendida, reconhecendo-a como sujeito do processo e, por isso, centrando-se em estabelecer com ela uma boa comunicação; uma abordagem familiar e comunitária, reconhecendo que as interações com outros são parte fundamental dos processos de saúde e doença individuais; entre outros.

2) Como é o dia a dia?

O dia a dia do MFC pode assumir diversas características de acordo com o local onde ele trabalha, visto que a especialidade se adapta às necessidades das pessoas que atende em cada país, região ou comunidade. Mas, independente do contexto específico, em geral os dias de trabalho são bastante intensos e diversificados. A maior parte dos MFC no Brasil trabalha em equipes de unidades de Atenção Primária com um cotidiano que inclui atendimentos em consultório (para problemas agudos ou crônicos, além de situações de saúde específicas como gestação e puericultura), realização de variados procedimentos ambulatoriais (tais como inserção de DIU, infiltração articular, excisão de lipomas e cistos epidérmicos, cantoplastia e outros procedimentos dermatológicos), consultas domiciliares (para pessoas em cuidados do fim da vida, por exemplo), discussões com outros profissionais, atividades comunitárias e outros.

3) Oportunidades de trabalho:

O Médico de Família e Comunidade está presente em centros urbanos, tanto no asfalto quanto nas favelas, em áreas rurais, indígenas, quilombolas ou ribeirinhas. Em cada região e cultura do país existe uma diversidade de campos de trabalho. As principais oportunidades no Brasil são a assistência ou preceptoria de residentes e graduandos em unidades de Atenção Primária à Saúde (APS) que existem em todos os municípios do país, atividade docente em universidades públicas e privadas, desenvolvimento de pesquisas locais e em colaborações internacionais, tutoria e supervisão presencial e à distância de outros profissionais na APS, assistência em unidades hospitalares de baixa e alta complexidade, além de consultório e alguns planos de saúde privados. Atualmente muitos MFC têm se destacado no campo da gestão e nos processos regulatórios da rede de atenção à saúde por sua visão abrangente e integrada da rede e proficiência em coordenação do cuidado.

4) Número de especialistas:

No momento, temos aproximadamente 4 mil especialistas registrados pela Associação Brasileira de Medicina do Trabalho.

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5) Curiosidades:

– A MFC é uma especialidade que cresce a cada ano no Brasil e ainda é relativamente pouco conhecida. No entanto, ela já é bem estabelecida no restante do mundo, principalmente na Europa (com destaque para Inglaterra, Espanha, França e Alemanha), Austrália e Canadá. Nesses países, o sistema de saúde é estruturado com forte presença dos Médicos de Família e Comunidade, que gerenciam o cuidado e o acesso aos exames complementares, rede de assistência e reabilitação e demais especialidades médicas.

6) Especialidades correlacionadas:

De alguma maneira, a MFC se relaciona com todas as demais especialidades, visto que se comunicará com elas visando a otimização do cuidado de seus pacientes. No contexto internacional, vale notar que o MFC apresenta várias denominações diferentes, de acordo com a história e desenvolvimento local da especialidade e do sistema de saúde, o que pode dar a alguns a impressão de se tratarem de especialidades diferentes. No Reino Unido, França, Grécia, Rússia utilizam variações de Médico Generalista, General Practitioner (GP) e Médecin Généraliste. Na Holanda e Bélgica como os Médicos do Lar, Huisarts ou Home Doctor. EUA, Canadá utilizam o terno Médico de Família ou Family Physician. Portugal, Médico Geral e Familiar.  Na Espanha, apesar de ser comumente o termo “médico de cabeceira”,  se utiliza, assim como no Brasil, Médico de Família e Comunidade.

7) Área de atuação:

O Médico de Família e Comunidade está presente na assistência nos centros urbanos, tanto no asfalto quanto nas favelas, nas áreas rurais, áreas indígenas, quilombolas ou ribeirinhas. Atua também na gestão, pesquisa e docência de maneira ampla e articuladora dos diversos pontos da rede de cuidado.

8) Mensagem para quem quer seguir essa especialidade:

Seja qual for a nomenclatura utilizada e em que canto do mundo for, a Medicina de Família e Comunidade é a continuação e a atualização do “médico de antigamente”, de um ideal do que significa ser médico que muitas vezes perdemos ao longo da graduação. Próximo, sensível, empático, acessível. Especialista nas pessoas e não em patologias, procedimentos ou sistemas fisiológicos. Mas diferente de seu antecessor histórico, o MFC hoje se capacita em programas de residência complexos e não somente nas experiências profissionais e da própria vida.

Para manter seu alto nível de prática e sua resolutividade, desenvolve uma formação específica, renovada e fortalecida pela medicina baseada em evidências, pela articulação com os saberes amplos da educação, psicologia, sociologia, antropologia, comunicação social. Formação que busca proximidade com as necessidades das pessoas, de suas famílias e das comunidades que constituem. A MFC é uma carreira apaixonante, de grande potencial de realização profissional e altamente enriquecedora para quem a prática.

*Os artigos sobre as especialidades médicas foram produzidos em parceria com a Associação Nacional de Médicos Residentes

Veja as outras especialidades que já falamos por aqui!

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Referências:

3 Comentários

  1. Excelente especialização… o mundo necessita de médicos mais humanos e compromissado com os seus pacientes. Uma aquisição necessário e emergencial para os dias atuais e vindouros! Parabéns para esses anjos da Medicina! ?

  2. Corrigir a sociedade.
    Não é associação da medicina do trabalho, mas sim sociedade brasileira de medicina de família e comunidade

  3. jackson souza

    Muito boa matéria que exalta e reconhece a presença assim como a importância do medico de família no Brasil.
    ha 1 ano trabalho como medico de família em Sao Paulo e vale ressaltar que existe algumas barreiras enfrentado pelo medico para poder exercer com excelência sua profissão.
    eu destaco: 1. o saber trabalhar em equipe,
    2. o gostar do serviço continuado como diz na legislação dos sus longitudinalidade.
    3. o gostar do vinculo com o paciente, e
    4. reconhecer que seu serviço e porta de entrada para os demais serviços de especialidades.
    mas estou amando. A saude do Brasil no rumo certo.

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