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Medicina Humanitária: mitos e verdades em situações de desastre

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Recentemente fizemos uma live no Instagram da PEBMED (link no final do artigo) sobre alguns aspectos da Medicina Humanitária e seus impactos em nossa carreira e na sociedade. O Brasil viveu em janeiro de 2019 uma tragédia em Brumadinho e precisamos estar preparados para atuar nestes cenários. No site da Organização Mundial de Saúde, temos acesso a diversos guidelines para serem usados neste contexto. Vamos compartilhar com vocês hoje os mitos em situações de desastres.

medicina humanitária

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Como atuar em situações de desastre

1º mito: desastres são assassinos aleatórios.

Verdade: os desastres atingem mais duramente o grupo mais vulnerável, os pobres – especialmente mulheres, crianças e idosos.

2º mito: a população afetada está muito chocada e desamparada para assumir a responsabilidade por sua própria sobrevivência.

Verdade: pelo contrário, muitos encontram novas forças durante uma emergência, como evidenciam os milhares de voluntários que se unem espontaneamente para vasculhar os escombros em busca de vítimas após um terremoto. Quando participei das ações de ajuda no desabamento do Morro do Bumba, em Niterói (RJ), ficava evidente a importância da ação de apoio e suporte da população local tanto no período imediato pós-deslizamento, no socorro às vítimas, quanto no suporte a longo prazo.

3º mito: qualquer tipo de assistência internacional é necessária urgentemente.

Verdade: uma resposta precipitada que não é baseada em uma avaliação imparcial só contribui para o caos. É melhor esperar até que as necessidades genuínas sejam avaliadas.

4º mito: voluntários médicos estrangeiros com qualquer tipo de formação médica são necessários.

Verdade: a população local quase sempre cobre as necessidades imediatas para salvar vidas. Somente pessoal médico com habilidades que não estão disponíveis no país afetado pode ser necessário.

5º mito: os cadáveres representam um risco para a saúde

Verdade: a gestão dos mortos é um dos aspectos mais difíceis da resposta a desastres, e desastres naturais, podem causar um grande número de mortes. Ao contrário da crença popular, os cadáveres não apresentam mais risco de surto de doença após um desastre natural.

6º mito: é impossível identificar um grande número de corpos depois de uma tragédia.

Verdade: existem sempre condições que permitem a identificação de corpos ou partes do corpo. As técnicas de DNA estão rapidamente se tornando acessíveis a todos os países. Além disso, no caso de grandes desastres, a maioria dos países pode contar com apoio financeiro e tecnológico externo, incluindo tecnologia de DNA.

7º mito: tudo voltará ao normal dentro de algumas semanas.

Verdade: infelizmente, os efeitos de um desastre duram muito tempo, principalmente pelo impacto ambiental e pelas doenças que surgem depois. Com relação a Brumadinho, por exemplo, o Ministério da Saúde está com uma campanha de conscientização e tem focado nas seguintes questões: transtorno do estresse pós-traumático, tétano, leptospirose, cuidados com alimentos e água.

Saber gerenciar estas questões é importante. Os países afetados por desastres esgotam grande parte de seus recursos financeiros e materiais na fase imediata de pós-impacto. Programas de ajuda bem-sucedidos direcionam suas operações para o fato de que o interesse internacional diminui com o passar do tempo, enquanto as necessidades e a escassez se tornam mais evidentes.

Ouça a live da PEBMED sobre Medicina Humanitária!

Para quem não pode acompanhar ao vivo, o áudio da live está disponível abaixo:

Spotify:

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