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Médico online: o que é permitido ou não nesse tipo de atendimento

Tempo de leitura: 3 minutos.

A tecnologia tem modificado a relação entre profissionais de saúde e pacientes. Na Internet, é cada vez maior a quantidade de sites que oferecem atendimento médico online (popularmente conhecido como médico virtual), consultas via Whatsapp e até ferramentas para o autodiagnóstico. Apesar de todos os benefícios que os avanços tecnológicos trazem e poderão trazer, deve-se ficar atendo às práticas incorretas, que podem pôr em risco a vida do doente. Esse artigo vai abordar o que pode ou não ser feito nessa modalidade de atendimento.

De acordo com o Código de Ética Medica, o médico não deve prescrever tratamento sem a realização do exame físico, exceto em casos de emergência ou impossibilidade:

“Art. 37. Prescrever tratamento ou outros procedimentos sem exame direto do paciente, salvo em casos de urgência ou emergência e impossibilidade comprovada de realizá-lo, devendo, nessas circunstâncias, fazê-lo imediatamente após cessar o impedimento”.

Logo, sites de consultas online que fazem diagnóstico e prescrevem tratamento sem a obrigatoriedade do exame físico não seguem o código de ética estabelecido atualmente. Esse não é o caso de páginas que unem pacientes e médicos para aconselhamento e solução de dúvidas básicas, mas é importante verificar se os médicos são realmente especialistas.

Médico online: whatsapp e redes sociais

A comunicação entre o médico e o paciente via redes sociais e mensageiros (whatsapp, messenger) não é proibida pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), embora não possa constituir uma consulta completa ou ser remunerada. As redes devem servir para a distribuição de materiais educativos, tirar dúvidas e facilitar o envio de resultado de exames, por exemplo, cabendo ao médico se responsabilizar por controlar essa via de comunicação.

Telemedicina: consulta online que pode salvar vidas

A Telemedicina abrange toda a prática médica realizada à distância. São serviços de saúde oferecidos nos casos em que a distância é um fator crítico. Profissionais da área usam tecnologias, como chamadas por vídeo e sensores que transmitem dados, para a troca de informações e até avaliação do paciente.

Essa prática, que é reconhecida e regulamentada pelo CFM, tem se tornado cada vez mais comum nos Estados Unidos e na Europa, e diversos estudos já demonstraram que ela pode melhorar os desfechos do paciente.

Experiências com Telemedicina

O mais recente deles, publicado no The Lancet em agosto de 2018, investigou a diferença entre um grupo de pacientes com insuficiência cardíaca randomizados para acompanhamento-tratamento convencional ou acompanhamento-tratamento guiado por um centro de Telemedicina. Nesse centro, foram captadas online informações sobre peso, pressão arterial, frequência cardíaca, oximetria e ritmo. Com ajuda de um algoritmo eletrônico, médicos e enfermeiras, 24h por dia, 7 dias na semana, fizeram ajustes conforme os resultados, que poderiam incluir estratégias comportamentais, mudança nas medicações e visita ao médico que o acompanhava in vivo. O resultado mostrou uma redução, em 1 ano, de 6-7 dias do absenteísmo no tratamento e de 30% na mortalidade.

Outra implementação bem-sucedida da Telemedicina é uma experiência que vem sendo realizada no Brigham and Women’s Hospital (BWH), nos Estados Unidos. Pacientes com doenças crônicas são acompanhados online, por profissionais de saúde, através de videoconferência, e 97% deles se mostraram satisfeitos com o programa. O hospital conseguiu reduzir o tempo com casos mais simples e abrir espaço para os mais graves.

No Brasil, um dos representantes dessa prática é o Programa de Telemedicina do Amazonas, realizado pela Secretaria de Estado de Saúde em parceria com as universidades Federal e Estadual. Mais de 1 mil consultas cardiológicas e 150 mil exames de eletrocardiograma com emissão de laudos foram realizados em cerca de 60 municípios do estado em 2017.

Hospitais do futuro

Um artigo de opinião do periódico Critical Care, publicado em fevereiro de 2018, fez algumas previsões para os próximos anos. De acordo com o texto, os hospitais do futuro serão menores, mais especializados, humanizados e com colaboradores reduzidos; a telemedicina e a robótica se farão mandatórias; unidades intensivas serão profundamente transformadas, a medicina invasiva, aprimorada, e a mobilização de pacientes antecipada.

LEIA MAIS: Medicina à distância – seria o fim dos hospitais?

Take-home messages:

  • Consultas online devem seguir as orientações do Conselho Federal de Medicina e do Código de Ética Médica.
  • O médico não deve prescrever tratamento sem a realização do exame físico, exceto em casos de emergência ou impossibilidade.
  • Comunicação via redes sociais e mensageiros deve se limitar a distribuição de materiais educativos, tirar dúvidas pontuais e facilitar o envio de resultado de exames.
  • A Telemedicina é uma modalidade reconhecida mundialmente, que tem se mostrado eficaz no acompanhamento e cuidado de pacientes com limitações no deslocamento.
  • É fundamental que o paciente pesquise o serviço e os médicos envolvidos antes de aderir a qualquer tipo de atendimento virtual.

Referências:

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