Infectologia

Medidas de distanciamento social diminuíram circulação de outros vírus respiratórios, indica estudo

Tempo de leitura: 3 min.

As medidas de distanciamento social contribuíram para a redução drástica de circulação de outros vírus respiratórios, como o sincicial respiratório (VSR), responsável pela maioria dos casos graves de infecções respiratórias em bebês, e para os vírus influenza A e influenza B, durante o período de outono e inverno no ano de 2020, no estado do Rio Grande do Sul.

Essa foi a principal conclusão de um artigo publicado recentemente no Journal of Global Health, e que faz parte do estudo COVIDa, liderado pelo Hospital Moinhos de Vento, em parceria com o Ministério da Saúde, via Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (PROADI-SUS). 

O estudo sobre o impacto do distanciamento social

O estudo comprovou que as medidas de distanciamento social adotadas na pandemia diminuíram a circulação de outros vírus respiratórios no ano de 2020. Ao todo, foram monitorados mais de 1.400 pacientes no estado do Rio Grande do Sul para a análise do impacto da infecção pelo novo coronavírus e outros agentes virais de alto impacto, como o vírus da influenza.

O recorte incluiu população adulta (1137 participantes) e pediátrica (298 crianças) que buscavam atendimento no Hospital Moinhos de Vento e no Hospital Restinga Extremo-Sul com sintomas sugestivos de Covid-19 durante o outono e inverno de 2020, época usual de maior incidência desses vírus. 

Os testes RT-PCR para o novo coronavírus, influenza A, influenza B e VSR foram realizados em todos os participantes, sendo que o vírus da Covid-19 foi positivo em 32,7% dos casos, enquanto os da influenza e VSR não foram detectados.

“Os mesmos foram acompanhados por 28 dias após a inclusão por meio de seguimento telefônico. Em torno de um terço dos pacientes tiveram a detecção do novo coronavírus e um terço do rinovírus, com os demais agentes causadores de infecção respiratória tendo uma expressiva queda”, detalhou o médico Renato Marcelo Comerlato Scotta, pesquisador do estudo COVIDa no Hospital Moinhos de Vento, em entrevista ao Portal PEBMED.

O médico explicou que, por serem vírus comuns sazonais prevalentes e possuírem certa semelhança em transmissibilidade e quadro clínico com o novo coronavírus, as medidas de distanciamento exerceram um grande impacto na disseminação desses outros agentes respiratórios.

Essa informação ajuda a esclarecer a significativa diminuição de internações hospitalares e consultas ambulatoriais no ano passado em todo o Brasil, por doenças respiratórias causadas por outros vírus respiratórios não-Covid. Achados semelhantes a esse foram também descritos em diversos países.

Cenário mudou em 2021

É possível perceber que o cenário está mudando em 2021, com mais casos detectados de VSR e influenza no país, porém com uma frequência ainda muito menor do que o observado em anos anteriores.

“Há mais de um ano, enfrentamos uma pandemia de uma doença totalmente nova, o que demanda produção científica contínua que possibilite o melhor entendimento do vírus e suas formas de disseminação, para combatê-lo de forma eficaz, além da criação de uma cultura de vigilância epidemiológica ativa para doenças causadas por vírus que apresentam grande impacto na comunidade”, afirmou o o infectologista pediátrico Renato Scotta.

Leia também: Tuberculose: qual é a sua relevância para a pediatria?

Com o afrouxamento, o pesquisador acredita que pode haver já um crescimento na circulação do novo coronavírus, assim como o já observado aumento da circulação de agentes prevalentes como o vírus sincicial respiratório no decorrer deste ano.  

*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED

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Úrsula Neves

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