Metade dos pacientes não relata aos médicos detalhes que ameaçam as suas vidas

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Quase metade dos pacientes pode estar escondendo informações que podem ameaçar as suas vidas.  Essa sugestão veio a partir de um novo estudo publicado online no JAMA Network Open.

As respostas vieram de 4.510 indivíduos americanos e foram coletadas em duas pesquisas online. Elas indicam que até 47,5% não compartilharam informações críticas com os seus médicos. Essas informações se encontram em uma ou mais das quatro categorias que poderiam representar uma ameaça iminente:

  • Potencial para vivenciar a violência doméstica;
  • Sobrevivência de agressão sexual;
  • Luta com a depressão;
  • Pensamentos suicidas.

Confiança e comunicação entre paciente e médico

“Para os provedores de cuidados primários ajudarem os pacientes a alcançar o seu melhor estado de saúde, eles precisam saber com o que o paciente está lutando”. Essa fala veio da autora sênior do estudo Angela Fagerlin, em um comunicado de imprensa. Ela faz parte do Departamento de Ciências da Saúde da População da Universidade de Utah, nos Estados Unidos. 

Leia também: O respeito à autonomia do paciente como instrumento de trabalho

Pacientes que foram agredidos sexualmente, por exemplo, podem estar em risco de desenvolver transtorno de estresse pós-traumático e doenças sexualmente transmissíveis, indica o estudo.

A pesquisa aponta para a necessidade de construir confiança e melhorar a comunicação entre médicos e pacientes.

Pesquisas anteriores mostraram que os pacientes frequentemente mantêm-se calados sobre comportamentos de baixo risco, como falta de exercício ou dieta pobre. Entretanto, pouco se sabia sobre as taxas de divulgação de fatores que poderiam ser fatais.

Estudos MTurk e SSI

Para o estudo atual, Angela Fagerlin e seus colegas analisaram dados de adultos norte-americanos. Eles foram recrutados pela Amazon Mechanical Turk (MTurk) e pela Survey Sampling International (SSI). A idade média dos participantes foi de 35,7 e 61 anos, respectivamente.

Os participantes de ambos os estudos, realizados em 2015, foram convidados, como parte de um questionário maior.  Objetivo era analisar uma lista de categorias de informações clinicamente relevantes e a indicar se alguma vez mantiveram essa informação junto de um clínico em segredo.

Em ambos os resultados, o abuso doméstico foi o fator mais frequentemente não divulgado (42,2% no MTurk e 42,3% no SSI).

Na amostra de MTurk, a segunda maior taxa de não-revelação foi depressão (38,1%), seguida por pensamentos suicidas (37,8%) e agressão sexual (28,8%). Na amostra de ISC, o maior motivo de não revelação foi agressão sexual (41,6%), seguida por pensamentos suicidas (37,0%) e depressão (29,0%).

Saiba mais: Como trabalhar a sua linguagem corporal para atender melhor os pacientes

Medo de ser julgado

Mais de 70% daqueles que retiveram informações disseram que o fizeram por causa do constrangimento. Várias outras razões foram citadas. Pacientes do sexo feminino e mais jovens eram ainda mais propensas a reter a informação, dizem os autores.

Os pesquisadores observaram que o problema pode ser ainda pior do que o estudo sugere. Uma vez que é provável que os entrevistados possam não ter informado todas as informações que eles mantiveram dos médicos em segredo.

Os autores do estudo sugerem que os pacientes deveriam ter a oportunidade de escrever sobre esses assuntos delicados quando eles comparecerem para a consulta.

O próximo passo da pesquisa será entrevistar pacientes assim que eles realizam uma consulta médica. O objetivo é obter uma imagem mais clara do que está sendo retido e o motivo, enquanto as memórias são mais recentes.

*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED

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Publicado por
Úrsula Neves

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