Metformina x sulfonilureia: qual possui menos efeitos cardiovasculares?

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Com o objetivo de avaliar os efeitos adversos, mais especificamente cardiovasculares, de tratamentos para a diabetes, um estudo recente, publicado no Journal of the American Medical Association (JAMA), comparou o uso da metformina contra o uso de sulfonilureia em diabéticos com função renal reduzida. A principal pergunta era se haveria relação entre o tratamento com estes fármacos e os eventos cardiovasculares maiores nestes pacientes, e qual seria a melhor escolha entre eles.

A metformina é um antidiabético oral da classe das biguanidas, que compõe a primeira escolha para o tratamento associado da diabetes. Até 2016, porém, seu uso não era indicado em pacientes com doença renal crônica, até que a Food and Drug Administration (FDA) liberou seu uso para aqueles com insuficiência renal leve a moderada.

Segundo as recomendações, é necessário saber a taxa de filtração glomerular estimada (TFGe) de cada paciente antes de prescrever a metformina, sendo a mesma: contraindicada para aqueles com TFGe inferior a 30 mL/min/1,73 m² e não recomendada para 30-45 mL/min/1,73 m². Nestes casos, a indicação é de sulfonilureias, a segunda opção de hipoglicemiante.

Eventos cardiovasculares com uso de metformina versus sulfonilureias

O estudo de coorte retrospectivo teve como base 49.478 pacientes com diabetes e função renal reduzida que receberam atendimento nas unidades da Veterans Health Administration, unido aos dados do Medicare, Medicaid e National Death Index, de 2001 a 2016.

Os participantes foram acompanhados desde a função renal reduzida até a ocorrência de eventos cardiovasculares, mudanças de tratamento, perda no seguimento ambulatorial, morte ou até o final do estudo, que aconteceu em dezembro de 2016.

Leia também: Manejo da hiperglicemia no diabetes tipo 2: o que dizem os novos consensos?

A coorte ponderada incluiu, no início do estudo:

  • 24.679 pacientes em uso de metformina e 24.799 usuários de sulfonilureias;
  • Idade média de 70 anos (intervalo interquartil [IQR] 62,8-77,8);
  • 48.497 eram homens (98%);
  • 40.476 brancos (82%);
  • A média da TFGe foi de 55,8 mL/min /1,73 m² [IQR, 51,6-58,2];
  • Nível de hemoglobina A1c de 6,6% [IQR, 6,1% -7,2%].

Entre os efeitos adversos considerados, estiveram: internação hospitalar por infarto agudo do miocárdio (IAM), acidente vascular cerebral (AVC), ataque isquêmico transitório ou morte cardiovascular.

Resultados

O acompanhamento teve média de um ano para pacientes que se tratavam com metformina e 1,2 anos para aqueles usuários de sulfonilureia. Os resultados apontaram uma segurança maior no uso do primeiro medicamento nos diabéticos com função renal reduzida quando olharam pelo lado dos eventos cardiovasculares: houve 1.048 resultados com efeitos (23 por 1 mil pessoas por ano) para metformina e 1394 eventos (29,2 por 1 mil pessoas por ano) para sulfonilureia.

A razão de risco ajustada por causa específica para a metformina foi de 0,80 (IC95%, 0,75-0,86) em comparação com as sulfonilureias, resultando em uma diferença de taxa ajustada de 5,8 (IC95%, 4,1-7,3) menos eventos por mil pessoas-ano.

Apesar de estarmos falando de um único estudo, os dados são importantes no momento de fazer um tratamento mais individualizado. Considerar os diversos aspectos, como os fatores de risco de cada paciente atrelados aos efeitos adversos dos fármacos, é essencial para um tratamento de sucesso e mais seguro.

*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED

Referências bibliográficas:

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Publicado por
Clara Barreto

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