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Mixoma atrial: o que devemos saber

Tempo de leitura: 3 minutos.

Os mixomas cardíacos são o tumor primário mais comum do coração e localizam-se principalmente no átrio esquerdo. Predominam no sexo feminino e a faixa etária varia em torno dos 50 anos (fonte americana) e acima dos 60 anos (fonte europeia), e é raro em crianças. Os mixomas ventriculares geralmente são pediculados, diferente dos atriais, que são sésseis.

Aproximadamente 7% dos casos possuem caráter familiar, fazendo ou não parte de síndromes como o complexo de carney (uma forma de neoplasia endócrina múltipla familial associada à alteração de pigmentação cutânea e de mucosa), doença nodular pigmentosa primária das adrenais, mixomas cardíacos e cutâneos, adenomas hipofisários, neoplasia testicular, adenoma ou carcinoma de tireoide, e cistos ovarianos.

A sintomatologia depende do tamanho, forma, mobilidade e localização do tumor. Os tumores que se originam nos átrios (em sua maioria) podem causar, dependendo do tamanho, obstrução ao fluxo sanguíneo pelas valvas atrioventriculares, simulando lesões valvares estenóticas. Em frequência menor, nas cavidades ventriculares (obstruindo a via de saída, que pode acarretar sintomas como dor torácica, dispneia ou sincope) podem levar a fenômenos embólicos. Os êmbolos podem ter origem nos próprios tumores ou em trombos formados em suas adjacências. Podem levar a embolizações sistêmicas e, mais raro, à embolização pulmonar.

Mais do autor: ‘Endomiocardiofibrose – como diagnosticar’

Os mixomas das câmaras direitas podem causar obstruções nas valvas tricúspide ou pulmonar e insuficiência cardíaca direita, assim como embolia pulmonar e sintomas pleuríticos. Podem apresentar arritmias. A infiltração do tecido tumoral no miocárdio e nas vias de condução podem levar a bloqueios atrioventriculares, taquicardias ventriculares, arritmias atriais, fibrilação atrial ou flutter atrial e até mesmo morte súbita.

Podemos encontrar sintomas constitucionais do tipo febre, anorexia, perda de peso, adinamia, astenia. Geralmente não auscultamos sopros, mas podemos encontrar o chamado “tumor plop” (ruído diastólico característico quando o mixoma se move pela valva mitral ou tricúspide).

Diagnóstico diferencial:

  • Doença valvar
  • Insuficiência cardíaca
  • Endocardite bacteriana
  • Arritmias cardíacas
  • Síncope
  • Embolia pulmonar e sistêmica

Podemos encontrar nos exames laboratoriais de rotina, elevação da velocidade de hemossedimentação, trombocitopenia, policitemia, anemia, proteína c reativa, leucocitose.

O ecocardiograma é o método diagnóstico de eleição no mixoma cardíaco. Os achados eletrocardiográficos são inespecíficos. Ao RX de tórax podemos encontrar aumento do átrio esquerdo, sinais de congestão e de hipertensão pulmonar.

O tratamento é a remoção cirúrgica, que na maioria das vezes é curativa. Após o diagnóstico, não se deve protelar a cirurgia pois existe a possibilidade de complicações por fenômenos embólicos ou morte súbita. A taxa de recidiva é muito baixa.

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Referências:

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  • Escobar FS, Attié F, Barrón JV, Marroquín SR, Abadiano JAC. Mixoma intraventricular izquierdo. Arch Mex Cardiol. 2004;74:290.
  • St John Sutton MG, Mercier L-A, Giuliani ER, Lie JT. Atrial myxomas: a review of clinical experience in 40 patients. Mayo Clinic Proc. 1980;55:371-76.
  • Barrón JV, Niebla MCL, Medina ARG, Kury RB, Dubach P. Pulsed Doppler echocardiographic analysis of atrioventricular flow changes in patients with atrial myxoma. Am Heart J. 1986;112(4):850-54.
  • McManus B, Lee CH. Primary tumors of the heart. In: Libby P, Bonow RO, Mann DL, Zipes DP, editors. Braunwald’s Heart Disease. 8th ed. Philadelphia: Saunders (Elsevier); 2008. p. 1815-1828
  • Shapiro LM. Cardiac tumors: diagnosis and management. Heart. 2001 Feb;85(2):218-22.
  • Carney JA, Hruska LS, Beauchamp GD, Gordon H. Dominant inheritance of the complex of myxomas, spotty pigmentation, and endocrine overactivity. Mayo Clin Proc. Mar;61(3):165-72. Reynen K. Cardiac myxomas. N Engl J Med. 1995 Dec 14;333(24):1610-7.

3 Comentários

  1. Gostei muito do artigo. Eu poderia pensar como diagnóstico diferencial também a doença de libman-sacks? Imaginei ela porque é uma endocardite sem presença de bactérias, o que na minha opinião mimetizaria bastante o comportamento do mixoma.

  2. marcelo flavio gomes jardim filho
    marcelo flavio gomes jardim filho

    A endocardite de Libman-Sacks é uma forma de endocardite, porém não bacteriana – as vegetações são estéreis, ocorre em pacientes com lúpus eritematoso sistêmico e também na Síndrome do anticorpo antifosfolipide, e pode acarretar em fenômenos tromboembólicos. Pensando dessa forma, acredito que você também possa pensar nela como diagnóstico diferencial.

  3. Fábio Ávila Tófani

    Só para acrescentar, a endocardite de Libman-Sacks esta relacionada com folhetos ou cúspides valvares enquanto os mixomas, sejam sésseis ou pedunculados estão relacionados às paredes dos átrios ou, mais raramente, dos ventrículos!

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