Monitorização não invasiva da pressão intracraniana

A busca por uma técnica não invasiva de monitorização da pressão intracraniana tornou-se um tema essencial na terapia intensiva neurológica.

A monitorização da pressão intracraniana intraventricular invasiva associada à drenagem ventricular externa (DVE) é considerada a medida padrão-ouro da pressão intracraniana (PIC) por sua acurácia e por permitir a drenagem do líquido cefalorraquidiano (LCR) para fins terapêuticos.

Existem situações em que a monitorização da PIC pode ser particularmente difícil, como em pacientes com ventrículos pequenos, além do risco de hemorragia (de 5 a 7%) durante a inserção e risco progressivo de infecção intracraniana (até 25% após 5 dias).

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Teoricamente a leitura da PIC em um ponto no sistema intracraniano reflete adequadamente a pressão média de todo o crânio porque a pressão do LCR, em condições normais, deve estar em equilíbrio em todo sistema liquórico, já em condições patológicas, os gradientes da PIC podem ser desiguais ou assimétricos entre os hemisférios ou compartimentos, dependendo do método utilizado para a monitorização, ela pode perder acurácia.

Devido a essas limitações do método padrão-ouro, a busca por uma técnica não invasiva de monitorização da PIC em tempo real tornou-se um tema essencial na terapia intensiva neurológica. Várias tecnologias não invasivas foram descritas, mas nenhum método alcançou a precisão necessária, disponibilidade e capacidade de análise contínua.

Monitorização não invasiva da pressão intracraniana

Novo método

A Braincare Inc. (Brasil) desenvolveu uma nova tecnologia de monitorização não invasiva, que pode detectar pequenas alterações na dimensão do crânio criadas pelas alterações na PIC, fornecendo informações contínuas em tempo real sobre a forma de onda da PIC.

A onda de pulso da PIC é dividida em três picos:

  • P1 está associado à pressão arterial sistólica transferida pelo plexo coroide para o líquido cefalorraquidiano.
  • P2 está associado à reflexão (rebote) da onda de pressão arterial no parênquima cerebral.
  • P3 é relacionadas ao fechamento da valva aórtica.

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A hipertensão intracraniana (HIC) afeta as características da forma de onda. Por exemplo, uma amplitude aumentada dos três picos indica um aumento médio na PIC. A amplitude reduzida de P1 sugere uma perda de pressão de perfusão cerebral, e um aumento relativo de P2 sugere uma perda de complacência cerebral. Além disso, a presença de ondas A de Lundberg, aumentos sustentados na PIC média com duração de 5 a 20 minutos também pode significar diminuição da complacência. Portanto, a análise não invasiva da morfologia das ondas da PIC parece ser uma técnica promissora para monitorar pacientes neurocríticos.

Análise

Moraes e colaboradores avaliaram e compararam a HIC utilizando diferentes métodos (Brain4Care (B4c), Ultrasssom da bainha de nervo óptico e Doppler Transcraniano) com a PIC invasiva em pacientes com HIC secundária a Hemorragia subaracnoide (HSA), Acidente vascular isquêmico e hemorrágico.

Esse estudo mostrou alta correlação e concordância na análise da morfologia das ondas entre o novo método B4c quando comparado com a monitoração PIC invasiva, principalmente a relação P2/P1, abrindo a possibilidade de uso rotineiro dessa tecnologia não invasiva como triagem ou mesmo acompanhamento. Torna-se uma opção que necessitará de mais estudos para esclarecer seu papel na prática neurocrítica diária.

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Referências bibliográficas: Ícone de seta para baixo
  • Moraes FM, et al. Waveform Morphology as a Surrogate for ICP Monitoring: A Comparison Between an Invasive and a Noninvasive Method. Neurocritical Care. 2022; 24;1-9. DOI: 10.1007/s12028-022-01477-4

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