Oftalmologia

Mucormicose e Covid-19: o que o oftalmologista precisa saber?

Tempo de leitura: 2 min.

A mucormicose tem sido muito falada nas últimas semanas por causa dos casos associados a Covid-19 na Índia. Se trata de uma infecção fúngica potencialmente fatal, rara e que tem afetado pacientes em recuperação da Covid-19, mas imunocomprometidos devido a ela ou pelo uso concomitante de corticóides e/ou pelo quadro associado de diabetes mellitus. Os casos oficialmente reportados ultrapassam 4.000 em Makasashtra, um estado da Índia, mas esses números provavelmente estão ainda subestimados. 

A infecção por Covid-19 pode induzir linfopenia significativa e persistente, o que aumenta o risco de infecções oportunistas. 85% dos exames de pacientes com Covid-19 demonstra essa linfopenia. Isso significa que pacientes com Covid-19 grave tem número marcadamente menor de linfócitos T, CD4+ e CD8+. Isso já explicaria uma maior susceptibilidade a infecções fúngicas.

A mucormicose

É caracterizada por uma invasão vascular das hifas que leva a trombose e necrose. Ela pode afetar as cavidades sinusais, cérebro ou pulmões sendo os principais sintomas edema de face unilateral, febre, cefaléia, congestão sinusal ou nasal, lesões negras na ponte nasal ou no teto da cavidade oral. Pode se apresentar de diversas formas como a gastrointestinal (mais comum em crianças), a rinocerebral (mais comum em pessoas com diabetes descontrolado e pós transplante renal), a disseminada, a pulmonar (mais comum em pessoas com câncer e após transplante de órgãos ou células tronco) e a cutânea. A combinação Covid-19, corticóide e diabetes pode criar o ambiente perfeito para a doença fúngica. 

Leia também: Covid-19 e infecções fúngicas

Os sintomas mais comuns da micormicose que o oftalmologista deve estar atento são o edema palpebral, dor orbitária, ptose palpebral, protrusão ocular, restrições de motilidade ocular, visão dupla e perda visual súbita. Esses podem estar associados a outros sintomas como a dor dentária, hiposmia, secreção nasal e sangramento, parestesia facial e paralisia. É muito importante que o diagnóstico seja rápido e seja instituído imediatamente o tratamento. A ressonância magnética com contraste pode ajudar a detectar as áreas afetadas e guiar a intervenção cirúrgica para remover as áreas necróticas. O debridamento repetido pode ser necessário e casos mais graves podem necessitar de exenteração orbitária e remoção das cavidades sinusais. Além disso é feito o tratamento clínico com antifúngicos.

Considerações

É necessário educar os pacientes sobre higiene das mãos e do ambiente, evitar contato com superfícies sujas e usar máscaras para evitar a contaminação por esporos. Os pacientes pós Covid-19 e diabéticos devem ter cuidado ainda maior. Os médicos, em contrapartida, só devem prescrever corticóides e imunossupressores quando de fato necessário. Como a mucormicose envolve o olho, oftalmologistas pode ser os primeiros a ver os sinais. É importante que estejamos preparados para pensar neste diagnóstico diferencial e agir prontamente com o tratamento clínico e cirúrgico.

Autora:

Referências bibliográficas:

  • Bhatt K, et al. High mortality co-infections of COVID-19 patients: mucormycosis and other fungal infections. Discoveries (Craiova). 2021 Mar 31;9(1):e126. doi10.15190/d.2021.5
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Publicado por
Juliana Rosa

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