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Mulheres com níveis mais altos de testosterona endógena têm risco para diabetes tipo 2?

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O uso da testosterona e seus derivados se faz cada vez mais presente entre as mulheres, tanto como tratamento de libido, como no uso off-label para ganho de massa muscular e força física. Mesmo diante das evidências de risco de amento cardiovascular, o número de mulheres que fazem uso de metabólitos androgênicos continua crescente. Em meados de 2020, foi publicado um estudo no Journal of the Endocrine Society que avaliou 8.876 mulheres em seus níveis fisiológicos de androgênios, e os correlacionou ao risco de desenvolvimento de diabetes tipo 2.

Leia também: Testosterona aumentada após a menopausa: o que devemos saber?

Em meados de 2020, foi publicado um estudo no Journal of the Endocrine Society que avaliou 8.876 mulheres em seus níveis fisiológicos de androgênios, e os correlacionou ao risco de desenvolvimento de diabetes tipo 2.

Stethoscope and a syringe on a diabetes test
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Evidências recentes

O estudo foi desenhado como uma coorte prospectiva na Dinamarca, que selecionou apenas mulheres sem comorbidades entre 18 e 50 anos, sem uso de anticoncepcionais ou outros hormônios exógenos. O objetivo deste estudo foi investigar a relação entre o risco de diabetes tipo 2 incidente e os níveis plasmáticos de testosterona total (TT), testosterona livre calculada (cFT), DHT, DHEA-S e globulina ligadora de hormônio sexual (SHBG).

A testosterona plasmática foi analisada utilizando espectrometria de massa em tandem de cromatografia líquida, que é considerado padrão ouro para mensurar testosterona endógena.

Neste grande estudo foi observado que altos níveis plasmáticos de TT e cFT foram associados a um risco 2 a 7 vezes maior de desenvolver diabetes tipo 2 durante aproximadamente 8 anos de acompanhamento entre mulheres jovens que não apresentam comorbidade crônica estabelecida e estavam sem medicação contínua.

Outros biomarcadores relacionados ao risco de diabetes tipo 2

Em contraste, DHEA-S e DHT não foram relacionados ao risco de diabetes tipo 2. Em relação ao DHEA-S, uma razão poderia ser que o DHEA-S é considerado um androgênio precursor e apresenta baixa afinidade para o receptor de androgênio e, portanto, tem propriedades androgênicas limitadas em oposição à testosterona, que apresenta alta afinidade levando a efeitos androgênicos potentes.

Os níveis plasmáticos de SHBG exibiram uma forte associação inversa com o risco de DM 2. Portanto, os baixos níveis plasmáticos de SHBG podem ser um importante marcador de risco para diabetes tipo 2 em mulheres. Sabemos que a obesidade e o aumento da resistência à insulina são parâmetros bem conhecidos para suprimir a SHBG plasmática, porém os mecanismos ainda não são bem conhecidos

Androgênios e seus efeitos no metabolismo

Os androgênios estão associados ao aumento da resistência à insulina em mulheres, mas essa ligação não é completamente compreendida

Até o momento, sabemos que os níveis aumentados de androgênio endógeno induzem hipertrofia dos adipócitos, sendo pró-inflamatórios, mediando a sua disfunção. Além disso, o hiperandrogenismo foi associado ao aumento do tecido adiposo visceral em transexuais femininos para masculinos e, estudos mostram que homens usuários anabolizantes com níveis de androgênios plasmáticos suprafisiológicos, parecem apresentar mais tecido adiposo visceral do que não usuários da mesma população e faixa etária.

Saiba mais: Uso de testosterona e risco de eventos tromboembólicos

Androgênios na menopausa

Os níveis de androgênios diminuem acentuadamente com a idade, especialmente após a menopausa. Consequentemente, os níveis de androgênios podem ter um impacto maior no risco de diabetes tipo 2 entre as mulheres no momento antes da menopausa. Neste estudo dinamarquês acima citado, há um risco dobrado de diabetes tipo 2, comparando mulheres de que aos 33 anos tinham TT plasmática menor que 1,0 àquelas com TT maior que 3,5 nmol / L.

Conclusão

Podemos interpretar que altos níveis de androgênios endógenos estão bem correlacionados a aumento de risco para diabetes e doenças cardiovasculares. Portanto, se extrapolarmos essa conclusão para as pacientes que fazem de testosterona, anabolizantes e afins, que possuem níveis de testosterona suprafisiológicos, estamos lidando com um aumento proporcionalmente maior de risco de DM2.

Assim, cabe aos médicos frearem as prescrições off-label cada vez mais abundante de androgênios a mulheres na pré e pós-menopausa que acontece nos últimos anos nos consultórios de Endocrinologia e Ginecologia.

Autor(a):

Referências bibliográficas:

  • Rasmussen JJ, et al. Endogenous Testosterone Levels Are Associated with Risk of Type 2 Diabetes in Women without Established Comorbidity. Journal of the Endocrine Society. 2020;4(6):bvaa050. doi:1210/jendso/bvaa050
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