Neurocirurgia: como o tempo cirúrgico influencia no risco de infecção?

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Apesar de infrequentes, infecções de sítio cirúrgico em procedimentos estão associadas a uma grande carga de morbidade e mortalidade. Identificar pacientes que estão sob maior risco de desenvolver infecção pós-cirúrgica pode ser um passo importante para a adoção de medidas preventivas.

Alguns fatores já foram identificados de forma consistente como fatores de risco independentes para infecção de sítio cirúrgico, tais como diabetes mellitus, fragilidade do paciente, presença de comorbidades e tempo operatório.

Destes, destaca-se que tempo operatório é um fator modificável. Entretanto, poucas evidências relacionam duração de cirurgia e risco de infecção em procedimentos neurocirúrgicos.

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Neurocirurgia: tempo cirúrgico e infecções

Uma revisão sistemática analisou estudos que versavam sobre o assunto na literatura, reunindo informações sobre 231.915 indivíduos e 6.726 casos de infecção pós procedimento neurocirúrgico. O risco relativo de tempos longos de cirurgia em relação a tempos curtos foi de 1,67 (IC 95%: 1,13 – 2,2). Para craniotomias, o risco relativo de infecção de sítio cirúrgico foi de 1,34 para cada acréscimo de 1h no tempo operatório, o que representa um aumento de 34% no RR por hora.

Os resultados são consistentes com uma meta-análise realizada previamente e com observações em outros tipos de cirurgia. O mecanismo exato pelo qual o tempo cirúrgico influencia o risco de infecção não é completamente conhecido. Especula-se que, com tempo prolongado de cirurgia, o paciente, com incisões abertas, é exposto ao ambiente por mais tempo, aumentando o risco de contaminação. Ao mesmo tempo, tempos operatórios mais longos predispõem os tecidos à desidratação, o que também aumenta o risco de contaminação.

Conclusões

As evidências apontam que pacientes com tempo prolongado de cirurgia em procedimentos neurocirúrgicos apresentam risco aumentado de infecção pós-operatória. O tempo operatório pode ser influenciado por múltiplos fatores, alguns modificáveis e outros não.

O planejamento pré-operatório, a familiaridade da equipe e medidas para otimizar o fluxo de trabalho no centro cirúrgico são medidas que podem ajudar a reduzir a duração das cirurgias. Da mesma forma, pacientes submetidos a cirurgias prolongadas devem receber especial atenção a sinais e sintomas que sugiram desenvolvimento de processo infeccioso.

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Referência bibliográfica:

  • Han C, Song Q, Ren Y, Luo J, Jiang X, Hu D. Dose-response association of operative time and surgical site infection in neurosurgery patients: A systematic review and meta-analysis. American Journal of Infection Control 000 (2019) 1−4 DOI: https://doi.org/10.1016/j.ajic.2019.05.025
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