Covid-19

Neutralização plasmática pela variante ômicron na covid-19

Tempo de leitura: 2 min.

Durante esses quase três anos de pandemia, o vírus inicial da COVID-19, o Wuhan-hu-1, vem sofrendo diversas mutações e dando origem a variantes distintas, sendo a variante B.1.1.159 (ômicron), a mais recentemente encontrada. Essa nova variante apresentou 32 modificações proteicas em sua composição em comparação com o vírus primário, sendo que 20, já foram previamente isoladas e relacionadas a diferenças de imunização tanto em pacientes já contaminados previamente pela vírus da SARS-CoV-2 como pelos pacientes que receberam duas doses da vacina mRNA.

Leia também: Novas características clínicas na síndrome Covid-19 nas infecções pela variante Ômicron

Metodologia do estudo recente

No relato de um estudo realizado pela equipe do National Center for Advancing Translational Sciences, houve a comparação nas medidas de titulação de anticorpos, utilizando 169 amostras de plasmas colhidas de 47 pacientes com história de infecção pelo vírus primário e pelas variantes delta e ômicron, assim como pacientes que receberam duas doses da vacina mRNA ou duas doses mais reforço das mesmas vacinas. Nas amostras de plasma obtidas em aproximadamente 1 mês e 6 meses após infecção pelo vírus SARS-CoV-2, o valores do NT50 foram de 60 ± 47 e 37 ± 27 (1 mês e 6 meses) menores para a variante delta do que para o vírus primário respectivamente e 58 ± 51 e 32 ± 23 (1 mês e 6 meses) menores para a variante ômicron em comparação a Wuhan-hu-1. Da mesma forma, diferentes plasmas obtidos de pacientes com um ano de infecção, apresentaram valores de NT50 34 ± 24 vezes menores para a variante delta e 43 ± 23 para a variante ômicron em comparação com a cepa inicial.

Nas amostras de plasmas colhidas 1 mês após a administração de duas doses da vacina com tecnologia mRNA, tanto Pfizer–BioNTech como Moderna, os valores da NT50 foram 187 ± 24 vezes menores para a variante delta e 127 ± 66 menores para a ômicron em comparação com a Wuhan-hu-1. Após 5 meses da vacinação a potência da neutralização plasmática foi 58 ± 23 vezes menor para a delta e 27 ± 17 menor para a ômicron. Os pacientes que receberam a vacina da Johnson & Johnson–Janssen apresentaram uma neutralização plasmática quase indetectável contra as variantes delta e ômicron.

Saiba mais: Covid-19: A dose de reforço da vacina como aposta contra a variante Ômicron

De um outro lado pacientes que receberam um reforço além das duas doses das vacinas mRNA e pacientes que foram infectados com a cepa inicial e tomaram duas doses dessas vacinas desenvolveram um título de neutralização alto para as variantes delta e ômicron. Os títulos foram substancialmente elevados nesses pacientes, porém aqueles que mesmo tendo sido infectados pela cepa inicial e não realizaram a vacinação, tiveram títulos quase indetectáveis, assim como aqueles que  receberam apenas duas doses das vacinas mRNA.

Conclusão

Esse estudo portanto sugere que os pacientes que apresentaram maior índice de neutralização plasmática em relação a variante atual ômicron, foram os que receberam três doses de vacinas mRNA, assim como aqueles previamente infectados pela cepa original e que foram vacinados com duas doses das mesmas vacinas. As pessoas que receberam vacinas com outras tecnologias não mRNA não desenvolveram titulação significativa para a nova variante.

Referências bibliográficas:

  • Schmidt F, et al. Plasma Neutralization of the SARS-CoV-2 Omicron Variant. December 30, 2021, at NEJM. doi: 10.1056/NEJMc2119641
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Publicado por
Gabriela Queiroz

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