Níveis séricos maternos e neonatais de vitamina D e hiperbilirrubinemia no recém-nascido - PEBMED

Níveis séricos maternos e neonatais de vitamina D e hiperbilirrubinemia no recém-nascido

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Um estudo realizado na Índia mostrou que recém-nascidos (RN) saudáveis a termo com hiperbilirrubinemia, com valores de bilirrubina sérica fora da faixa fisiológica, apresentam níveis de vitamina D significativamente baixos, mostrando uma correlação estatisticamente negativa com hiperbilirrubinemia neonatal (fora da faixa fisiológica). Assim, a diminuição da vitamina D pode ser incluída na lista de fatores de risco para icterícia em neonatos. O artigo Correlation of 25-hydroxy vitamin D level with neonatal hyperbilirubinemia in term healthy newborn: A prospective hospital-based observation study foi publicado no jornal International Journal of Pediatrics and Adolescent Medicine.

A hiperbilirrubinemia neonatal é uma das complicações comuns que levam a admissões hospitalares frequentes de RN. Muitos são os fatores de risco que, quando presentes, podem aumentar as chances de seu desenvolvimento. Dessa forma, é essencial identificar esses fatores de risco que estão envolvidos no aumento da sua incidência, para tentar minimizá-los. Sendo assim, o objetivo dos pesquisadores Bhat e colaboradores foi comparar e determinar qualquer correlação dos níveis de 25-hidroxivitamina D do RN e suas mães com o nível de bilirrubina sérica do neonato.

Leia também: ENDO 2021: vitamina D na prevenção de diabetes tipo 2 – sim ou não?

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Análise recentes

Foi então realizado um estudo caso-controle em um hospital indiano terciário com 100 RN no período de junho de 2017 a maio de 2018. Os critérios de inclusão foram: RN amamentados exclusivamente ao seio materno; RN nascidos de parto hospitalar; RN saudáveis a termo com idade gestacional superior a 37 semanas de gestação; RN de mães RH negativas e mães do grupo O após confirmação de Coombs direto negativo. Já os critérios de exclusão foram: RN com anomalias congênitas importantes; incompatibilidade Rh/ABO; RN com história de asfixia perinatal, síndrome de aspiração de mecônio, pneumonia, sepse e hiperbilirrubinemia conjugada; RN com anormalidades com risco de vida, como fístula traqueoesofágica, hérnia diafragmática congênita, sequestro pulmonar ou malformação anorretal.

Método do estudo

Os RN foram divididos em dois grupos (50 em cada grupo) com base no nível de bilirrubina sérica no quinto dia de vida. Os RN com bilirrubina sérica na faixa fisiológica foram incluídos no grupo “controle” e os RN com níveis séricos de bilirrubina fora da faixa fisiológica e que necessitaram de tratamento foram incluídos no grupo “caso”. Neste estudo, todos os 50 RN do grupo “caso” foram tratados por fototerapia. Um RN necessitou de exsanguinotransfusão, mas os responsáveis não deram consentimento para inclusão na pesquisa. As amostras de sangue dos RN e de suas mães foram coletadas no quinto dia e enviadas ao laboratório para estimativa da bilirrubina sérica e da 25-hidroxivitamina D. Neste estudo, o estado dos níveis de vitamina D foi definido como: deficiência: < 20 ng/mL; intervalo abaixo do ideal: 5-10 ng/mL; nível ideal de vitamina D = 30-50 ng/mL.

O nível sérico médio de vitamina D dos casos foi menor do que o dos controles, tanto nos RN quanto em suas mães. Uma diferença estatisticamente significativa foi observada apenas entre o nível de vitamina D do RN, mas não nas mães quando casos e controles foram comparados. Correlação negativa, estatisticamente insignificante, foi observada entre o nível de vitamina D e a bilirrubina sérica em casos e controles. No entanto, a correlação do nível de vitamina D dos casos e sua bilirrubina sérica foi estatisticamente significativa, com um coeficiente de correlação de -0,335 e um valor de p = 0,0172.

Segundo os pesquisadores, a principal limitação do estudo foi o pequeno tamanho da amostra. Isso se deve ao baixo nível econômico dos pacientes, e o estudo foi conduzido em uma faculdade de medicina privada, onde os encargos para a determinação do nível sérico de bilirrubina e vitamina D3 são elevados. Os pesquisadores descreveram que, embora tenham discutido com o laboratório sobre o projeto de pesquisa, solicitando uma redução de custos, de todo modo não foi aceitável para a população local pagar por esses dois testes.

Conclusão

Esse estudo, portanto, revelou um baixo nível de vitamina D em RN que desenvolveram icterícia, que estava fora da faixa fisiológica, e sua correlação negativa significativa com a bilirrubina sérica. Todavia, para declarar o baixo nível de vitamina D como um fator de risco para hiperbilirrubinemia, há necessidade de estudos mais extensos em diferentes regiões do mundo, para que a futura incidência de hiperbilirrubinemia possa ser diminuída pela modificação deste fator de risco, por meio de suplementação/reposição de vitamina D.

Saiba mais: Deficiência de vitamina D e Covid-19: o que há de novo?

Observo que a vitamina D, considerada atualmente como um hormônio, tem sido objeto de inúmeros estudos em diversas doenças e faixas etárias. Acredito, inclusive, que um dos maiores desafios no momento seja a definição de valores de nível sérico e das doses de suplementação versus reposição. De fato, o aumento da incidência de muitas doenças, como asma, encefalomielite disseminada aguda (ADEM) e esclerose múltipla futura, esquizofrenia, complicações neurocognitivas, diabetes mellitus tipo 1 e resistência à insulina, por exemplo, tem sido correlacionado com a diminuição da concentração de vitamina D em gestantes e sua prole, sendo extremamente possível essa relação também com o risco de icterícia.

Autor(a):

Referências bibliográficas:

  • Bhat JA, Sheikh SA, Ara R. Correlation of 25-hydroxy vitamin D level with neonatal hyperbilirubinemia in term healthy newborn: A prospective hospital-based observation study. Int J Pediatr Adolesc Med. 2021;8(1):5-9. doi:10.1016/j.ijpam.2019.10.001

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