Saúde & Tecnologia

Nova máscara cirúrgica antiviral permite uso por 12 horas

Tempo de leitura: 3 min.

Desenvolvida pela Golden Technology em parceria com os institutos de Química e de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (USP), uma nova máscara cirúrgica promete proteger contra vírus por até 12 horas. Segundo testes em laboratório, o produto teve 99,9% de eficácia na eliminação do vírus.

A máscara, que ganhou o nome de Phitta Mask, está em processo de aprovação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Apesar disso, já pode ser encontrada à venda por R$ 1,70 a unidade.

Leia também: Covid-19: estudo compara eficácia de 14 tipos de máscaras

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Vantagens da nova máscara antiviral

Segundo os pesquisadores, Phitta Mask pode ser usada com segurança por até 12 horas, já que é o tempo que o efeito antiviral e a eficiência de filtração bacteriana (BFE) permanecem. São 10 horas a mais de duração que uma máscara cirúrgica comum. Isso permite, inclusive, que o profissional de saúde a utilize por algumas horas num dia e continue usando em outros dias até completar as 12 horas.

Um ponto importante é que a nova máscara não tem toxicidade alta, já que uma quantidade pequena da substância consegue inativar o SARS-CoV-2. No descarte, a substância também não é liberada no meio ambiente, o que permite que o material seja processado em qualquer sistema comum sem deixar resíduos tóxicos

Segundo o professor Koiti Araki, do Laboratório de Química Supramolecular e Nanotecnologia do Instituo de Química da USP, o material utilizado, quando entra em contato com o oxigênio, torna-se mais reativo. “O oxigênio, quando entra em contato com o tecido, se torna tão ativo quanto uma água oxigenada. Quando o vírus entra em contato com o material, ele é inativado. O diferencial é a produção contínua de pequenas quantidades em equilíbrio de um oxidante, usando uma substância que já existe naturalmente, e a segurança de um produto que não apresenta toxicidade relevante e é isento de metal”.

Substância utilizada

Apesar de o nome do material não ter sido divulgado, por estar em pedido de patente, a substância principal utilizada já estava sendo estudada há cinco anos pelos pesquisadores. Ao longo dos estudos, os cientistas conseguiram diminuir, em laboratório, em mais 90% a quantidade de resíduos e reagentes e o tempo de produção.

No início da pandemia, eles testaram o produto em diferentes tecidos para entender seu potencial antiviral, e testaram a citotoxicidade da substância. “Muitos produtos matam o vírus, mas também matam as células. Se o produto fosse tóxico, não conseguiríamos testar a sua eficácia em cultura de células. Também foi necessário verificar se o próprio tecido não era tóxico para as células”, explica o coordenador do estudo, Edison Durigon.

Foram realizados testes em pacientes Covid-19 positivos no Hospital das Clínicas, comparando o uso de máscaras comuns versus máscaras com o ativo. Os indivíduos fizeram testes de RT-PCR antes e depois do uso das máscaras, para avaliar se o fato de a máscara não conter o vírus era devido à substância ou se o paciente já havia parado de transmitir.

Apesar de terem confirmado o efeito antiviral em máscaras cirúrgicas, o mesmo não aconteceu em N95, devido à baixa adesão da substância às mesmas.

Saiba mais: Olho seco e irritação ocular associados ao uso de máscaras faciais

Futuro

Para os pesquisadores, o ativo pode ser aproveitado para uma série de outros produtos. No momento, ele está sendo testado em filtros de ar HEPA e em produtos de higiene bucal. O enxaguante bucal é um dos mais promissores dos testes já realizados.

A substância também será testada em enxovais hospitalares, revestimentos de assentos de aeronaves e materiais escolares.

Além da Anvisa, a Golden Technology está solicitando registro também na Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora dos Estados Unidos.

*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED

Referência bibliográfica:

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Publicado por
Clara Barreto

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