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Nova terapia para o câncer de próstata avançado chega ao Brasil

Medicina de Família, Oncologia, Urologia
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Tempo de leitura: 4 minutos.

Uma importante terapia para o tratamento do câncer de próstata avançado chega ao Brasil. O PSMA-LUTÉCIO-177, desenvolvido na Alemanha, é considerado uma boa alternativa terapêutica nos pacientes com câncer de próstata metastático resistente à castração (CPRC), que apresentam progressão de doença mesmo em vigência das terapias prévias já realizadas.

De acordo com os especialistas, esse novo tratamento mostrou boa eficácia terapêutica com redução do volume de doença, melhora na qualidade de vida, queda do PSA em até 60% dos pacientes, redução das complicações de metástases, incluindo o quadro de dor.

“A literatura médica atual sugere que esta é uma terapia eficaz e bem tolerada pelos pacientes levando a sua implementação em diversos serviços médicos ao redor do mundo”, diz Rafael Menezes Tavares, médico assistente da Clínica de Medicina Nuclear Villela Pedras, especialista em medicina nuclear pela Sociedade Brasileira de Medicina Nuclear.

O médico explica que a proteína PSMA é uma molécula que apresenta a sua expressão aumentada na superfície das células cancerígenas da próstata. “Essa expressão pode estar elevada nas células metastáticas mesmo depois de múltiplas linhas de terapias. E esse fato possibilita a marcação desta proteína com um elemento radioativo, que é o Lutecio 177, formando o complexo 177Lu-PSMA. A administração deste material por via endovenosa viabiliza o tratamento sistêmico específico destas lesões”, complementa Rafael Menezes Tavares.

Veja também: Screening de câncer de próstata: confira as novas recomendações

Câncer de próstata: estudos clínicos

Um estudo australiano de fase II avaliou pacientes com câncer de próstata resistente à castração e doença em progressão mesmo após tratamentos usuais, que apresentavam alta captação ao PET/CT com PSMA. Os pacientes selecionados receberam até quatro ciclos de [177Lu]-PSMA-617, uma molécula radiomarcada que permite tratamento por emissão de partículas beta.

Os dados publicados no The Lancet Oncology, de junho de 2018, revelam que, dos 30 pacientes avaliados, 57% apresentaram declínio > 50% do PSA, com 82% de taxa de resposta objetiva em doença nodal ou visceral naqueles que tinham doença mensurável. As toxicidades foram, em sua maioria, graus 1 e 2, com quatro pacientes apresentando plaquetopenia graus 3 ou 4.

Cada dose do tratamento com o PSMA Lutécio 177 custa, em média, R$ 30 mil.

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Como é realizado o tratamento

O tratamento com o PSMA Lutécio-177 é programado para ser realizado em regime de dayclinic, no mínimo, em quatro sessões, com intervalos de seis a oito semanas entre as doses. Os pacientes precisam apresentar boa função medular e função renal preservada para realizá-lo.

Esses pacientes devem passar algumas horas em uma das unidades de tratamento particular, recebendo a injeção venosa do material ao longo de 30 minutos, com o auxílio de uma bomba de infusão contínua de medicações, e permanecendo em observação até o final do turno. A hidratação e a utilização de medicações para os sintomas específicos podem ser realizadas ao longo desse período, baseado na necessidade de cada paciente.

O objetivo desse tratamento é aumentar a sobrevida global e a sobrevida livre de progressão, assim como melhorar a qualidade de vida dos pacientes e reduzir as taxas de complicações das metástases.

“Esse objetivo pode ser alcançado em aproximadamente 50% dos casos. Essa opção terapêutica tem baixa toxicidade, com melhora clínica e na qualidade de vida, o que acarreta em redução das complicações, eventos clínicos e custos decorrentes da doença oncológica metastática. O tratamento aumenta ainda a sobrevida do paciente”, afirma a médica Flávia Paiva, especialista em Medicina Nuclear na Villela Pedras, no Rio de Janeiro.

Contraindicações e efeitos adversos

De acordo com os especialistas, algumas contraindicações são relativas e dependem de discussão multidisciplinar para avaliação do custo benefício. Ressalta-se que, em alguns casos, o tratamento pode ser adiado até o manejo clínico adequado.

Confira as contraindicações:

  • Expectativa de vida inferior a seis meses, realizada através da escala de performance (ECOG superior a 2). No entanto, o benefício do tratamento pode ser discutido com o médico oncologista assistente e com o próprio paciente para realização nos casos onde se deseja alívio aos sintomas relacionados à doença;
  • Incapacidade de executar as medidas de proteção radiológica;
  • Obstrução do trato urinário ou hidronefrose que não seja passível de intervenção clínica em paciente com risco de retenção urinária;
  • Deterioração da função renal (creatina sérica com valor duas vezes acima do limite superior da normalidade ou ritmo de filtração glomerular inferior a 30 ml/min);
  • Supressão medular com leucócitos abaixo de 3,000/mL e plaquetas abaixo de 75,000/mL;
  • Elevação de enzimas hepáticas (cinco vezes o valor da normalidade);
  • Condições que requerem intervenção imediata, como por exemplo, radioterapia e cirurgia para compressão de medula ou estabilização de fraturas;
  • Terapias que levam à supressão medular devem ser descontinuadas seis semanas antes do início do tratamento.

Leia mais: Saiba quando o rastreio do câncer de próstata pelo PSA é necessário

Podem ocorrer, em alguns casos, efeitos hematológicos como a supressão de medula, apesar de serem raros e de baixo grau, além de boca seca e piora da astenia, que na maioria das vezes, é transitório e manejável com medidas clínicas específicas.

Dados atuais do câncer de próstata no Brasil

O câncer de próstata é a segunda principal causa de morte por câncer em homens. A maioria dos pacientes com câncer de próstata morre devido à presença de doença metastática.

Estimativas apontam que entre 10% a 20% dos casos de câncer de próstata progridem para doença metastática resistente à castração (mCPRC).

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), foram estimados 68.220 novos casos em 2018 com 15.391 mortes decorrentes da doença. Cerca de seis em cada dez casos são diagnosticados em homens com mais de 65 anos, sendo raro antes dos 40 anos. A média de idade no momento do diagnóstico é de 66 anos.

*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED

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