Nova variante do vírus influenza é identificada no Brasil

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Foi identificada uma nova variante do vírus influenza em uma paciente do Paraná. As amostras analisadas por pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) apontaram a presença do vírus A (H1N2), que provoca infecção em porcos.

O caso foi informado ao Ministério da Saúde, que notificou a Organização Mundial da Saúde (OMS), seguindo o regulamento sanitário internacional, uma vez que mutações nestes microrganismos podem levar à disseminação em seres humanos, com potencial pandêmico.

Segundo o relatório, a paciente, uma mulher de 22 anos, sem comorbidades, trabalhava em um matadouro de suínos no município de Ibiporã, no Paraná, e desenvolveu uma doença semelhante à influenza em 12 de abril de 2020.

A paciente procurou inicialmente atendimento médico em 14 de abril e uma amostra respiratória foi obtida em 16 de abril como parte das atividades de vigilância de rotina. Ela foi medicada com Oseltamivir (comercializado sob a marca Tamiflu), não foi hospitalizada e se recuperou.

No mesmo período, outro funcionário do local apresentou sintomas de gripe, mas não foram coletadas amostras na ocasião. A investigação epidemiológica e laboratorial em andamento não encontrou indícios de outros casos de infecção.

Um teste de RT-PCR em tempo real foi realizado no Laboratório Central de Saúde Pública do Paraná (Lacen-PR), que identificou um vírus influenza A de subtipo desconhecido.

Em maio de 2020, o espécime foi encaminhado ao Laboratório de Vírus Respiratórios e Sarampo, do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), no Rio de Janeiro.

Em 22 de junho, o sequenciamento genético o identificou como um vírus influenza A (H1N2).

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Histórico de casos de influenza

Já foram registrados 26 casos de infecção por vírus influenza A (H1N2) desde 2005 em todo o mundo, segundo a OMS. A maioria dos pacientes apresentou quadros leves. No Brasil, um caso já havia sido realizado em 2016.

De acordo com a virologista Marilda Siqueira, chefe do Laboratório de Vírus Respiratório e do Sarampo do IOC, a nova descoberta não é motivo de preocupação.

Leia também: Como a influenza se comporta em pacientes imunossuprimidos?

“Essas detecções ocorrem, ao longo dos anos, em diversos países. Não significa que isso vai se transformar em uma pandemia. As medidas de controle são as mesmas para infecções de transmissão respiratória em geral, como lavar as mãos e, em caso de sintomas respiratórios, procurar atendimento médico para fazer análise melhor do quadro clínico”, esclarece a pesquisadora.

Novas variantes

Uma vez que os vírus influenza ocorrem em diversas espécies de animais, o surgimento de novas variantes pode ocorrer tanto por mutações do genoma viral quanto pela recombinação entre microrganismos de diferentes espécies.

Segundo a OMS, as infecções humanas por vírus de gripe de suínos ocorrem principalmente pelo contato com animais infectados ou ambientes contaminados.

Curiosamente, na China cada vez mais são encontrados porcos infectados com uma cepa de influenza com potencial de “pular” para os seres humanos.

*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED

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Referências bibliográficas:

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Publicado por
Úrsula Neves

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