Ginecologia e Obstetrícia

Novo consenso europeu: menopausa e risco cardiovascular

Tempo de leitura: 3 min.

A menopausa é uma importante etapa da vida da mulher que traz diversas mudanças em seu âmbito físico e social. Há uma grande variedade entre os indivíduos da idade de menopausa, mas em linhas gerais, ela ocorre entre 40 e 60 anos. 

O estrogênio participa de forma primordial na função endotelial, regulação pressórica e remodelamento cardiovascular, e, a doença cardiovascular é a maior causa de mortalidade nas mulheres no mundo todo. Ela é mais prevalente no oeste europeu, e menos na população chinesa e sul americana. 

A doença obstrutiva cardiovascular ocorre de 7 a 10 anos mais tarde na mulher do que no homem. Baixos níveis de estrogênio estão relacionados com alteração da função vascular, aumento de inflamação, de ativação do eixo renina-angiotensina-aldosterona e redução de óxido nítrico. Porém, ainda não conseguimos diferenciar qual o peso da idade e da falta de estrogênio nesse contexto. 

Novos estudos sobre a menopausa

Recentemente, no final de 2020, as principais sociedades de Cardiologia, Endocrinologia e Menopausa europeias realizaram um Consenso sobre risco cardiovascular após transição menopáusica, desordens gestacionais e outros distúrbios ginecológicos.

O Consenso traz como grandes benefícios da Terapia Hormonal :

  • O mais efetivo na melhora sintomas vasomotores
  • O tratamento sistêmico e tópico ser efetivo na síndrome gênito urinária
  • Proteção contra osteoporose
  • Melhora no humor
  • Diminuição do risco cardiovascular se iniciado na janela de oportunidade: ate 10 anos da menopausa, e em pacientes com menos de 60 anos. 
  • O início precoce tem melhor benefício cardiovascular
  • Em mulheres com insuficiência ovariana prematura, o uso da terapia hormonal é recomendado até a idade habitual da menopausa, para se evitar osteoporose, doenças cardiovasculares e declínio cognitivo. 
  • Curto de uso de terapia hormonal em mulheres submetidas a cirurgia de  salpingo ooforectomia profilática, não aumenta risco de câncer de mama e reduz efeitos da menopausa precoce. 

E como pontos negativos da terapia hormonal:

  • O uso de estrogênio isolado aumenta o risco de câncer de endométrio
  • A terapia hormonal se realizada pela via oral aumenta os riscos de eventos tromboembólicos
  • O risco de AVC é considerado levemente aumentado, sendo menor pela via transdérmica.
  • O uso de progestágeno tem relação com aumento de risco de câncer de mama, mas depende de qual progestágenos é elencado. Porém, esse risco se perde ao se descontinuar a terapia
  • O uso além dos 65 anos parece ter relação com deterioração da função cognitiva
  • Não é recomendada para pacientes com eventos prévios de doença cardiovascular 

 

As pacientes que apresentam histórico de pré-eclâmpsia, síndrome HELLP e diabetes gestacional têm um risco maior de desenvolvimento de doenças cardiovasculares, e devem realizar um follow up cuidadoso no pós-parto e a longo prazo. 

Além disso, em relação à vida sexual, o consenso traz a informação de que mais estudos devem surgir para estabelecermos uma relação entre esse tema e o risco cardiovascular. Ainda também não há segurança do uso de testosterona mesmo que transdérmica em pacientes com alto risco cardiovascular.

Por último, na população transgênero, o risco cardiovascular e de tromboembolismo são aumentados. Caso seja iniciada a terapia hormonal, a via de preferência é a transdérmica.  

 

Referência bibliográfica : 

  • Maas AHEM, Rosano G, Cifkova R, Chieffo A, van Dijken D, Hamoda H, Kunadian V, Laan E, Lambrinoudaki I, Maclaran K, Panay N, Stevenson JC, van Trotsenburg M, Collins P. Cardiovascular health after menopause transition, pregnancy disorders, and other gynaecologic conditions: a consensus document from European cardiologists, gynaecologists, and endocrinologists. Eur Heart J. 2021 Jan 25:ehaa1044. doi: 10.1093/eurheartj/ehaa1044. Epub ahead of print. PMID: 33495787.

 

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Publicado por
Juliana Olivieri

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