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Novos medicamentos trazem inovação no tratamento do diabetes

Tempo de leitura: 2 min.

O tratamento do diabetes mellitus tipo 2 (DM2) passou por uma verdadeira revolução nos últimos 6 anos. Se anteriormente, tínhamos como objetivo chegar a um bom controle glicêmico para melhorar a qualidade de vida do paciente, hoje temos por obrigação ir além e promover redução de complicações macrovasculares (IAM, AVC), aumentando a quantidade de vida do paciente.

Essa mudança de paradigma só foi possível com as novas drogas antidiabéticas como gliflozinas (inibidores da SGLT2) e análogos de GLP-1. Ambas as classes, nos seus estudos de segurança cardiovascular (mandatórios para novas drogas pelo órgão regulador americano), mostraram redução de desfechos cardiovasculares maiores: morte cardiovascular, IAM não fatal e AVC não fatal, o famoso 3P-MACE em pacientes de alto risco cardiovascular prévio.

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Outros estudos mostram eficácia para o tratamento do diabetes

Adicionalmente, outros estudos mostraram que as gliflozinas reduziram desfechos renais maiores como evolução para terapia renal substitutiva mesmo em indivíduos não diabéticos (DAPA-CKD); bem como reduziram internações e morte por insuficiência cardíaca (IC) também independente da presença ou não do DM2 (DAPA-HF, EMPEROR-REDUCED).

Assim, ampliou-se o leque terapêutico para tratamento de DM2 e obrigou o médico, mesmo o não especialista em diabetes, a conhecer essas novas classes: saber como usá-las, qual perfil de paciente mais adequado para cada uma, bem como manejar seus efeitos colaterais.

De acordo com a mais recente recomendação de ADA (Academia americana de Diabetes) de 2021, o uso de gliflozinas ou análogos de GLP-1 deve ser feito em associação a metformina, independente do valor de hemoglobina(Hb) glicada, se o paciente tiver doença macrovascular estabelecida ( IAM prévio, AVC) ou se tiver doença renal crônica ou IC, nesses últimos 2 casos dando preferência às gliflozinas.

Desta forma:

Gliflozinas: 

  • Quem são: dapagliflozina, canagliflozina e empagliflozina
  • Para quem: para controle de DM2 independente da Hb glicada, principalmente se em prevenção secundária de DCV estabelecida, IRC e IC
  • Efeitos colaterais principais: infecções genitourinárias e hipotensão postural

Análogos de GLP1:

  • Quem são: liraglutida, semaglutida, dulaglutida
  • Para quem: para controle de DM2 independente da Hb glicada, principalmente se em prevenção secundária de DCV estabelecida; também muito útil para tratamento da obesidade associada ao DM2.
  • Efeitos colaterais principais: náuseas

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Referência bibliográfica: 

  • Riddle et al. Standards of Medical Care in Diabetes- 2021 Diabetes Care January 2021
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Publicado por
Eduardo Cavalcanti Lapa Santos

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