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O desafio #1 da medicina no séc. XXI: o que podemos fazer para reduzir desperdício e ineficiência

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Dentre todos os vilões relacionados na primeira parte, o desperdício e a ineficiência do sistema chamam atenção, não somente por representarem 30% dos gastos do sistema de saúde, mas também por soarem mais palpáveis quando pensamos em desenvolvimento de soluções imediatas para reduzir custo.

Desperdício significa gastar em excesso ou não aproveitar o potencial completo.

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Um relatório da OMS apontou que aproximadamente 400 milhões de pessoas pelo mundo não possuem acesso a serviços básicos de assistência. E outros tantos milhões que tentam custear acabam sendo empurrados para linha da pobreza. Este é um quadro grave e que nos leva a crer que um sistema de saúde mais eficaz, e por consequência sem desperdício, permite o desenvolvimento de soluções com baixo custo para quem precisa. Uma medicina mais sustentável permite que ela seja mais igualitária, e que tenha equidade entre todos.

Entretanto, onde podemos atacar para que o sistema de saúde possa reduzir os 30% de desperdício e ineficiência? Existem diversos desafios que podemos superar:

  1. Medicina defensiva: Está diretamente relacionada ao comportamento médico, isto é a tomada de decisões inadequadas e pautadas no medo, ao invés de ser focada em protocolos e guidelines. O médico determinas suas decisões baseados medo do litígio;
  2. Overdiagnosis: Tratam-se de diagnósticos verdadeiros, porém excessivos e que desencadeiam uma cascata de novos exames ou procedimentos, na sua maioria com baixa necessidade. Além de consumir o sistema de saúde, pode causar dano ao paciente, transformando alguém saudável em um dependente do sistema;
  3. Ineficiência e agilidade do sistema: Sabemos que a realidade brasileira na captação e armazenamento de dados é muito abaixo do esperado, a maior parte das unidades de saúde possuem sistemas de documentação em papel, e grande parte delas não se comunicam e permitem troca de informações. Desta maneira dados são perdidos, exames repetidos e pouco se conversa sobre eficiência;
  4. Estrutura dispendiosa e profissionais pouco motivados: Pouca aceitação a mudanças pela classe profissional, remuneração inadequada e contração por favorecimento, são alguns dos problemas relacionados quando pensamos em estrutura profissional. Estes aspectos impactam diretamente em comportamentos pouco motivados para o exercício da profissão;
  5. Admissões hospitalares e tempo de internação: Falta de sistemas alternativos de tratamento (domiciliar ou hospital dia), internações desnecessárias ou abusivas, com tempo de permanência inadequado são responsáveis por gastos altíssimos do sistema;
  6. Desperdício associado à corrupção e fraude: Falta de políticas organizacionais para coibir a prática, bem como ações conscientização com os profissionais. Ademais, existe a necessidade de implementar mecanismos de responsabilidade;
  7. Estratégias inadequadas ou pouco eficientes: Prioridades inadequadas de investimentos em saúde, sendo a incapacidade de determinar um equilíbrio adequado para prevenção promoção entre os níveis de cuidado;
  8. Baixa produção de genéricos e altos custos medicamentosos: Pouco controle dos agentes da cadeia de prescrição, isto é fornecimento, oferta, prescrição e consumidores. Existência de ideias inadequadas sobre a eficácia e segurança de medicamentos genéricos. Altos níveis de impostos e taxas para medicamentos;
  9. Utilização inadequada de medicamentos: Prescrição inadequada e prática de promoção pouco ética, além da procura e alta expectativa de consumidores sobre produtos nem sempre necessários;
  10. Investimento em sustentabilidade: Baixo investimento em políticas de conscientização e sustentabilidade do sistema de saúde, para profissionais e pacientes.

Além dos 10 pontos citados acima, poderíamos pensar muitos outros pontos relacionados ao desperdício. Todavia, existe um desafio não citado anteriormente fazendo escoar pelo ralo bilhões de dólares todos os anos: má aderência ao tratamento.

Boas práticas para aumentar esta aderência são tão urgentes, e tão próximas a nossa realidade, que devem ser tratadas por todos os médicos como um desafio pessoal, tão importante quanto aqueles quatro pilares citados no primeiro texto (diagnosticar, tratar, acompanhar e prevenir). Garantir que o paciente está aderente impacta diretamente na métrica de sucesso ao se prescrever um tratamento.

Para se ter noção da gravidade deste desafio, estima-se hoje que aproximadamente 80% dos pacientes com doenças crônicas abandonem seus tratamentos medicamentosos. O que impacta em eficácia e desperdício no sistema de saúde e, por conseguinte, no aumento do custo.

Na última parte desta análise, traremos um pouco mais sobre os desafios relacionados ao aumento da aderência ao tratamento e como a tecnologia pode ser o grande parceiro para vencermos este desafio.

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Referências:

  • Iuga AO, McGuire MJ. Adherence and health care costs. Risk Management and Healthcare Policy. 2014;7:35-44. doi:10.2147/RMHP.S19801.
  • Liaropoulos L, Goranitis I. Health care financing and the sustainability of health systems. International Journal for Equity in Health. 2015;14:80. doi:10.1186/s12939-015-0208-5.
  • The NHS cannot escape its financial crisis without more money – Richard Vize – The Guardian 13/05/2016
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