Medicina Esportiva

O exercício físico: a grande descoberta de 2019

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Parece óbvio para muitos médicos e pacientes que o exercício físico é de vital importância para manutenção da saúde cardiovascular. Porém, o que parece simples é ainda muito pouco praticado.

Com isso, a Sociedade Europeia de Cardiologia, no Congresso de 2019, apresentou o artigo “Mortality reduction with physical activity in patients with and without cardiovascular disease” , fruto de trabalho desenvolvido pelo grupo do pesquisador Sang-Woo Jeeng,  da Universidade Nacional de Seul, propondo corte com total de 441.798 indivíduos submetidos ao programa de triagem entre 2009 e 2015.

Os indivíduos desse estudo apresentavam infarto do miocárdio (IM) prévio e outras doenças cardíacas isquêmicas, como acidente vascular cerebral (AVC) prévio ou insuficiência cardíaca (IC) crônica, sendo assim considerados portadores de DCV (grupo de prevenção secundária). O grupo de prevenção primária incluiu aqueles sem histórico de DCV. 

Como se vê na figura abaixo, as descobertas começaram a chamar atenção quando implementou exercício físico programado, na faixa alvo de 500-1000 MET-minuto/semana que corresponde a 150 a 300 min de exercício físico por semana, de intensidade moderada, alterando a mortalidade desses pacientes.

Retirado de: https://academic.oup.com/eurheartj/advance-article/doi/10.1093/eurheartj/ehz564/5552546

 

Porém, esse desfecho foi observado em quem possuía doença e realizava o exercício físico supervisionado de forma disciplinar, pois metade da população estudada não atingiu o nível recomendado de atividade física e um quarto deles se mantiveram sedentários.

Dessa forma, a descoberta inovadora está na relação entre atividade física e mortalidade, mostrando padrões diferentes com pacientes com e sem doenças cardiovasculares, tendo em vista que os pacientes com doença cardiovascular se beneficiaram muito do exercício, obtendo índices de mortalidade iguais, sob o ponto de vista estatístico, aos pacientes sem doença, como é possível verificar na figura abaixo.

Retirado de: https://academic.oup.com/eurheartj/advance-article/doi/10.1093/eurheartj/ehz564/5552546

 

Conforme demonstrado, os exercícios físicos apresentaram direta influência na mortalidade e na prevenção secundária quando em “doses” acima de 500 METs-minutos/semana. Com isso, a Sociedade Europeia de Cardiologia recomenda exercícios aeróbicos três vezes por semana, por 30 min, de intensidade moderada, e o Colégio Americano de Cardiologia recomenda 30 a 60 minutos de exercícios aeróbicos, por 5 dias, de intensidade moderada. Lembrando que essas atividades sempre devem estar associadas a exercícios resistidos, que estão ligados a diminuição de LDL, PA, Hb glicada, inflamação endotelial, além de aumentar HDL e melhorar desempenho cardíaco.

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Take-home message

Logo, apesar de algumas limitações do estudo devido ao tempo, estatística, programa de exercícios, dentre outros fatores, a boa prática é ter como item “número 1” da prescrição médica, em indivíduos com doença cardiovascular, o exercício físico programado com dose mínima de 500 METs-minutos/semana, diminuindo assim o desfecho de mortalidade de forma efetiva. No entanto, vale ressaltar que mais estudos devem ser feitos e estarão por vir, comentaremos aqui! Fique ligado.

LEIA TAMBÉM: Exercícios aliviam depressão por câncer, doenças cardiovasculares e crônicas

Autor:

Referências bibliográficas:

  • Sang-Woo Jeong, Sun-Hwa Kim, Si-Hyuck Kang, Hee-Jun Kim, Chang-Hwan Yoon, Tae-Jin Youn, In-Ho Chae, Mortality reduction with physical activity in patients with and without cardiovascular disease, European Heart Journal, , ehz564, https://doi.org/10.1093/eurheartj/ehz564
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Publicado por
Mateus Freitas Teixeira

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