Enfermagem

O passaporte da vacina nos ambientes de trabalho

Tempo de leitura: 4 min.

Segundo dados dos boletins epidemiológicos do Observatório da Covid-19 da Fiocruz, o número de casos graves que resultaram em internações hospitalares e óbitos tem reduzido significativamente ao longo dos últimos meses da pandemia em todo país. 

Além das medidas de prevenção da transmissão do Sars-CoV2, como distanciamento social, uso de máscaras e higiene das mãos, é importante destacar que o aumento da vacinação da população proporcionou muitos efeitos positivos para queda dos indicadores de óbitos e internações em unidades de terapia intensiva hospitalares. 

Observou-se redução nas taxas de letalidade no país. Em 24 estados há manutenção da incidência, um estado com aumento e dois com redução de casos por Covid-19. Em relação aos óbitos, há três estados com tendência de queda, 17 estados com manutenção e apenas dois com tendência de aumento. Em relação às taxas de ocupação de leitos UTI Covid-19 para adultos, há 25 estados com níveis de alerta baixo.

Segundo os últimos dados de vacinação disponibilizados pelo Ministério da Saúde Organização em 08/21, observa-se que 75% da população recebeu a primeira dose, 65% está totalmente vacinada e 9% recebeu a dose de reforço. 

Desta forma, percebe-se que o avanço da vacinação combinado com as medidas preventivas para redução da transmissão, tem resultado em mitigação dos impactos da Covid-19 no país.

Trabalho e passaporte da vacina

Diante do exposto, pode-se inferir que, de acordo com as evidências epidemiológicas, o principal fator para a queda desses indicadores é o processo de vacinação da população em geral, pois quanto maior a cobertura vacinal mais chances de controlar os efeitos graves da pandemia com maior segurança.  

É relevante a reflexão sobre a adoção do passaporte da vacina para estímulo à imunização além da proteção coletiva, principalmente nos diversos ambientes de trabalho pois os benefícios da proteção coletiva vão para além dos trabalhadores: suas famílias, filhos, colegas de trabalho, para comunidade.

Em média, 20% dos trabalhadores brasileiros atuam em profissões com maior risco de exposição à Covid-19. Segundo dados do Ministério do Trabalho e Previdência, nos últimos oito meses de 2021, as ocupações com maior número de desligamentos por mortes foram de motoristas de caminhão, faxineiros, vendedores de comércio varejista, porteiros, vigilantes e seguranças, profissionais de serviços de saúde. 

Os dados apresentados foram baseados no Cadastro Geral de Empregadores e Desempregados (Caged), refletindo apenas o mercado formal e não discorre sobre as causas dos óbitos dos trabalhadores. Entretanto, o cenário na pandemia, mostra que as ocupações mais afetadas foram aquelas que necessitaram de trabalho presencial, ou seja, o trabalhador precisou sair de sua residência, estando mais exposto às infecções por Sars-CoV2.

As organizações públicas e privadas necessitam promover ambientes de trabalho com condições adequadas para o retorno presencial dos trabalhadores, assumindo sua responsabilidade social e contribuindo para manutenção da saúde da sua força de trabalho. 

É necessário que as instituições incluam estratégias para estimular seus trabalhadores à imunização contra Covid-19, criando campanhas e canais de comunicação no ambiente de trabalho para enfatizar os benefícios da vacinação, sanando as dúvidas existentes sobre vacinas, disponibilizando as informações do calendário vacinal da cidade, e ainda liberando o trabalhador para ir à unidade de saúde no dia da vacinação.

Leia também: Covid-19: Aglomerações nos estádios de futebol

É fundamental que os empregadores garantam condições de trabalho seguras e saudáveis aos trabalhadores com objetivo de prevenir e controlar a infecção por Sars-CoV2, seja através do incentivo ao passaporte da vacina ou promovendo medidas de proteção como o fornecimento de equipamentos de proteção individual (EPI), controle dos ambientes para reduzir propagação de doenças, reforçar a importância da manutenção das medidas de prevenção como higienização das mãos, uso de máscara, distanciamento físico e evitar aglomerações em locais fechados.

Referências bibliográficas:

 

 

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Publicado por
Brenda Almeida

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