O que preciso saber de novo sobre choque cardiogênico?

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O choque cardiogênico é uma doença de difícil manejo, pouco dado na literatura e alta mortalidade. Separei nesse texto dez conceitos revisados sobre o tema.

Choque cardiogênico

  1. O choque cardiogênico é o resultado de um baixo débito cardíaco levando a uma hipoperfusão tecidual, falência de múltiplos órgãos e morte.
  2. A despeito da evolução na medicina seu prognóstico ainda é muito ruim, com mortalidade acima de 40%. A escassez de ensaios clínicos randomizados torna o tratamento uniforme.
  3. Dados clínicos norte americanos enfatizam a importância de protocolos com foco no rápido diagnóstico, intervenção precoce, avaliação da condição hemodinâmica e um cuidado multidisciplinar longitudinal.
  4. Um triagem efetiva no setor de emergência é ponto chave para um bom atendimento na doença. A principal etiologia é o infarto agudo do miocárdio e sua pronta identificação e tratamento são de fundamental importância.
  5. Apesar do desuso do cateter de artéria pulmonar, dados recentes vem mostrando que ter noção precoce do estado hemodinâmico do paciente tem um impacto positivo. Sendo assim o cateter de artéria pulmonar pode ser um grande aliado diagnóstico e no manejo terapêutico.
  6. Há um número limitado de dados referindo a noradrenalina como terapia inicial, estudos retrospectivos mostraram desfechos semelhantes com dobutamina e milrinone.
  7. A doença é muito dinâmica, principalmente quando seguida de parada cardíaca. Uma abordagem multidisciplinar é importante na avaliação prognóstica, no manejo da recuperação neurológica e nos candidatos a revascularização ou terapias baseadas em dispositivos.
  8. Dispositivos de assistência ventricular são opções razoáveis no choque cardiogênico refratário, após uma consulta ao “heart team”.
  9. Em pacientes com choque cardiogênico de predomínio ventricular esquerdo, onde há uma hipoperfusão tecidual com normotensão arterial, vasodilatadores com o nitroprussiato podem aumentar o débito cardíaco ao reduzir a pós carga, enquanto os efeitos vasodilatadores da dobutamina e do milrinone também podem ser efetivos no choque ventricular esquerdo com pós carga elevada. Vasodilatadores pulmonares inalatórios reduzem a pós carga ventricular direita.
  10. São necessários estudos randomizados, controlados para as terapias existentes e emergentes para gerar informações confiáveis que impactem na prática clínica.

Leia também: Como tratar edema agudo de pulmão e choque cardiogênico [ABRAMEDE 2018]

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Referências bibliográficas:

  • Tehrani BN, et al. A Standardized and Comprehensive Approach to the Management of Cardiogenic Shock. JACC Heart Fail 2020;8:879-891. doi: 1016/j.jchf.2020.09.005
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