Categorias: Hematologia

O que todo clínico deve saber sobre anemia aplásica?

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A New England Journal of Medicine lançou recentemente um artigo de revisão sobre o tema Anemia Aplásica. Embora o nome da doença contenha “anemia”, alteração nos glóbulos vermelhos do sangue, o que encontramos na grande maioria dos pacientes é pancitopenia, com redução não só da série vermelha como dos leucócitos e plaquetas.

Veja abaixo as características dessa patologia hematológica.

Quando suspeitar?

A anemia aplásica entra no diagnóstico diferencial das pancitopenias, e pode ser primária ou secundária. Das causas secundárias, as mais comuns são:

  • Drogas Citotóxicas
  • Radiação
  • Benzeno
  • Hepatites virais
  •  Fasciíte Eosinofílica
  • Timoma
  • Doenças do Telômeros
  • Anemia de Fanconi

Como fazer o diagnóstico?

Na primeira etapa, são realizados exames para investigar causas secundárias de citopenias. A seguir, a investigação diagnóstica inclui:

1. Biópsia de Medula Óssea
2. Triagem gênica

  • A) solicitar na pancitopenia crônica e moderada, que não respondeu a tratamento com imunossupressores; em crianças e adolescentes; e na anemia macrocítica e trombocitopenia.

3. Citometria de Fluxo:

  • A) na anemia aplásica, geralmente encontra-se clone pequeno HPN, não tratável.
  • B) auxilia no diagnóstico diferencial entre SMD e anemia aplásica.

As principais doenças associadas que devemos avaliar são:

  • Hemoglobinuria Paroxística Noturna (HPN)
  • Síndromes Mielodisplásicas (SMD)
  • Síndromes de Falência Constitucional da Medula Óssea (Anemia de Fanconi, doenças dos telômeros)

Como é feito o tratamento no adulto?

  • Transplante de Medula Óssea Alogênico: opção curativa da doença, porém necessita de doadores adequados e está sujeito a complicações importantes.
  • Imunossupressão (globulina antitimócito, alentuzumabe, ciclosporina): recuperação medular importante porém com índices de recaída significativos.
  • Eltrombopag: estimulador da trombopoietina, inicialmente usado nas anemias aplásicas refratários, e promessa de ser incluído como tratamento como primeira linha.

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Autor:

Referências:

  • Young, SN. Aplastic Anemia. N Engl J Med 2018;379:1643-56. DOI: 10.1056/NEJMra1413485.
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Publicado por
Jamili Zanon Bonicenha
Tags: anemia

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