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O uso de estatinas está associado à progressão do diabetes?

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O uso de estatinas já foi associado em ensaios clínicos randomizados (RCTs) e epidemiológicos prévios à piora da resistência insulínica. No entanto, este ainda é um assunto controverso, já que o efeito na glicada é controverso. Tentando responder se o uso de estatinas pode estar relacionado a progressão do DM, foi realizada uma coorte retrospectiva utilizando a base de dados dos US Department of Veterans Affairs, um sistema de saúde para os militares dos EUA.

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O uso de estatinas está associado à progressão do diabetes?

O estudo

Esta coorte retrospectiva pareada utilizou novos usuários de estatinas e comparadores ativos para avaliar os efeitos da estatina no DM, entre 2003 e 2015. A população base foi constituída por norte americanos, sendo que a maioria era branca (68,2%), com média de 60,1 anos e 94,9% dos participantes eram do sexo masculino. 

Foram excluídos participantes com menos de 30 anos de idade ou que não estavam em seguimento regular. Ao final, a coorte continha 83.022 pares de usuários de estatina e comparadores ativos (usuários de inibidores de bomba de prótons ou antagonistas H2 e não utilizavam estatinas) que iniciaram o uso da medicação durante o período de 2003 a 2015.

Desfechos

O desfecho primário foi a progressão do DM, que foi caracterizada ou por intensificação no tratamento do DM (início de terapia com insulina ou aumento no número de antidiabéticos) início recente de DM ou descompensação (incidência de 5 ou mais mensurações de glicemia > 200 mg/dL ou novo diagnóstico de cetoacidose). Os desfechos secundários foram separadamente cada um dos fatores associados à progressão do DM utilizados no desfecho primário e a alteração na glicemia média.

Durante o seguimento, os usuários de estatina tiveram redução do LDL em média de 25 mg/dL comparado a 0,8 dos não usuários (IC 95%, 23,9 – 24,4; P < 0,001).

O uso de estatinas foi associado de forma significativa ao desfecho primário de progressão do diabetes (OR 1,37; IC 95%; 1,35 – 1,40) comparado aos não usuários, destacando dentre as análises secundárias de cada variável o aumento do uso de drogas (OR 1,41; IC 95%; 1,38-1,43) e o início de insulina (1,16; IC 95%; 1,12-1,19). Houve diferença na média de glicemia (6,3 vs 5,5; OR – 1,24; IC 95%; -1,24 a -0,36, P < 0,001), mas foi uma diferença sem implicação clínica.

O NNH da exposição de participantes para haver 1 progressão de DM foi de 13. Os autores chamam a atenção para que entre 2009 e 2015 as visitas a emergências dos EUA por crises hiperglicêmicas e cetoacidose dobraram, com aumento de óbitos em 55% no período.

Então não vale a pena utilizar estatina?

Temos que ter calma ao analisar esses dados. Nos últimos anos, a maioria dos novos trials para avaliação de antidiabéticos tem seguido o modelo de estudo de segurança cardiovascular. Análogos de GLP-1 e inibidores de SGLT-2 vem demonstrando benefício em redução de eventos cardiovasculares maiores (MACEs) além do controle do DM, o que nos trouxe a uma nova era onde o enfoque passa a ser além do controle do diabetes, reduzir o risco de eventos. 

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No momento, o que temos de melhor evidência é que as estatinas reduzem risco cardiovascular em pacientes diabéticos. A recomendação da ADA é de utilizarmos sempre que pacientes tenham DM e idade entre 40 e 75 anos, com intensidade e alvos variados de acordo com o risco cardiovascular adicional. 

Devemos nos atentar ao dados trazidos por este estudo e considerarmos a resistência insulínica crescente nesses pacientes, mas no momento não devemos deixar de prescrever estatinas quando indicadas para esses pacientes. Este estudo serve como base para no futuro tentarmos identificar em quais pacientes os riscos de um DM extremamente descompensado pode superar os benefícios em redução de risco que as estatinas podem trazer.

Autor(a):

Referências bibliográficas:

  • Mansi IA, et al. Association of Statin Therapy Initiation With Diabetes ProgressionA Retrospective Matched-Cohort Study. JAMA Intern Med. Published online October 4, 2021. doi:10.1001/jamainternmed.2021.5714
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