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Obesidade: cerca de 60% dos pacientes sofrem distúrbios psiquiátricos

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Cerca de 60% dos pacientes com obesidade sofrem de algum distúrbio psiquiátrico, sendo os mais comuns os transtornos de humor, como a depressão e a compulsão alimentar, de acordo com a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (ABESO).

A obesidade é uma doença que pode representar um símbolo visual dos insucessos físicos e psicológicos do indivíduo e, por isso, esses são fortemente estigmatizados. Essa não é uma regra, mas por ser identificada em pacientes que lutam contra a balança, sendo necessário levá-los em consideração na hora de definir o melhor tratamento para cada caso.

“A obesidade é uma doença que está associada a uma grande variedade de outras doenças, muitas vezes funcionando como causa de outras doenças. Assim, alterações do metabolismo da glicose, dos lipídeos sanguíneos, hipertensão arterial, alguns tipos de câncer, doenças cardiovasculares e osteoarticulares entre muitas outras, inclusive na área psiquiátrica. Os mecanismos que regem essas associações são complexos”, explica o psiquiatra Adriano Segal, do Departamento de Psiquiatria da ABESO.

A psicoterapia pode fazer parte da estratégia integrada, redefinindo o estilo de vida e implicações emocionais da obesidade, assim como a atividade física, que possui efeito antidepressivo.

“Grande parte das pessoas que busca emagrecer hoje, na verdade, luta contra o peso durante toda a vida. Muitas delas já passaram por episódios em que foram confrontados com o seu peso ou condição física, provocando diversos efeitos psicológicos. Cansados, tanto do sobrepeso, quanto da carga emocional que carregam, esses indivíduos tendem a optar por dietas da moda, altamente restritivas, que proporcionam uma perda de peso rápida, porém insustentável”, diz Matheus Motta, nutricionista do Vigilantes do Peso.

homem com obesidade medindo a circunferência

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Dietas e sobrepeso: o perigo do efeito sanfona

É exatamente aí que o efeito sanfona passa a fazer parte do problema, agravando ainda mais as condições psicológicas e emocionais desse indivíduo.

“A relação entre corpo e mente também é comprovada nesse momento, uma vez que o efeito sanfona, indiretamente relacionado à saúde mental, está associado ao surgimento de doenças crônicas, como a hipertensão e o diabetes”, complementa Matheus Motta.

Para o psiquiatra Adriano Segal, o efeito sanfona pode ser pior, mas nem sempre. Depende do tamanho do sobrepeso e do impacto que o sobrepeso causa, uma vez que muitas pessoas com pequeno excesso de peso já desenvolvem algum grau de complicações clínicas.

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“Temos também que entender que algum ganho de peso depois de perder peso é normal, desde que não muito grande. Isto ocorre em todos os tratamentos para obesidade, desde os puramente comportamentais até os cirúrgicos multiprofissionais. Não seria adequado chamar este ganho normal de efeito sanfona”, ressalta o especialista em psiquiatria.

Em geral, é melhor para as pessoas se tratarem do quadro de obesidade do que “se aceitarem” com um sobrepeso já que, em certo aspecto, a obesidade funciona como o tabagismo: quanto mais tempo a pessoa se expuser à obesidade, maiores serão as chances de complicações.

Como os médicos podem ajudar os pacientes com distúrbios psiquiátricos decorrentes da obesidade?

Caso o médico não seja um psiquiatra, mas identifique que o seu paciente apresenta esse problema, o ideal é encaminhá-lo a um profissional de psiquiatria.

“Como há uma grande variedade de doenças psiquiátricas associadas à obesidade, não só transtornos alimentares e, muitas vezes, o colega não especialista pode não conseguir fazer um diagnóstico psiquiátrico abrangente. Vemos muitos pacientes que chegam fazendo uso de uma miscelânea de medicações psiquiátricas que podem inclusive facilitar o ganho de peso”, concluiu Adriano Segal.

*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED

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