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Obesidade e doenças proctológicas: o que precisamos saber

Tempo de leitura: 3 minutos.

A obesidade é uma epidemia em todo o mundo e sabemos que a mesma pode desencadear diversas outras doenças, além de reduzir muito a qualidade de vida do indivíduo. Cerca de um terço da população americana apresenta sobrepeso / obesidade e aqui no Brasil não é muito diferente.

A relação entre algumas doenças e a obesidade está bem descrita, como na hipertensão arterial, diabetes, cardiopatias, NASH, cirrose e problemas osteoarticulares. No entanto, apesar de pouco difundido, algumas doenças proctológicas também têm relação direta / indireta com a obesidade.

Recentemente, esse tema tem sido abordado de forma mais constante nas principais revistas científicas do meio, levantando discussões antes pouco exploradas. Algumas dessas relações são:

1) Doença Inflamatória Intestinal (DII): o Copenhagen School Health Register (CSHRR) examinou dados de pacientes entre 7-13 anos com DII. Aqueles que apresentavam obesidade infantil teriam risco aumentado de desenvolver DII na idade adulta. Esse fato estaria associado ao aumento de proteínas de fase aguda e da calprotectina fecal. Também foi verificado que as terapias comuns, as mais amplamente utilizadas, seriam menos efetivas em obesos.

Terapia biológica na doença inflamatória intestinal

2) Doença diverticular: o acúmulo de gordura visceral aumenta a pressão intraluminal, que contribuiria para a formação de divertículo. Além dos fatores mais conhecidos relacionados com a formação de divertículos, como o tabagismo, dieta pobre em fibras e falta de exercícios físicos, os obesos teriam uma flora bacteriana intestinal diferente comparada aos não obesos. Associado a isso, os obesos apresentam alta concentração de metano, que também aumenta a pressão intraluminal.

3) Doença hemorroidária: a doença hemorroidária é mais frequente em obesos, porém sua correlação não é claramente elucidada. Seria relacionado com a pressão intra-abdominal, que provocaria um aumento da congestão venosa, além da maior inflamação crônica, provocada por liberação de citocinas inflamatórias e proteínas de fase aguda.

4) Fístulas anais complexas: as fístulas, em sua grande maioria, são provocadas por abscessos perianais, que são mais comuns em obesos (risco atribuído as suas comorbidades). A obesidade é um fator de risco independente para a falha de cicatrização em avanços de flap de mucosa, utilizado para tratamento de fístulas complexas. Isso porque há uma relativa hipoperfusão dos tecidos adiposos.

Assim, da mesma forma que é importante nos conscientizarmos de que a cada dia temos mais pessoas obesas, como médicos, temos o dever de orientar nossos pacientes a controlar o peso. E isso independe da especialidade com a qual trabalhamos, porque o obeso é um paciente sob risco de desenvolver diversas outras alterações. A perda de peso não é somente estética, é uma medida para aumento de sobrevida. Por isso, invista parte do seu tempo de consulta também direcionando tratamento e prevenção para essa questão.

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Referências:

  • Relation of body mas índex to risk to developing inflammatory bowel disease amongst women in the danish national birth cohort. Mendal et al. PLoS One.2018 Jan 24;13(1):e0190600. DOI: 10.1371/journalpone.0190600. Collection 2018
  • Childhood body mass index and risk of inflammatory bowel disease in adulthood: a population-based cohort study. Jansen CD et al. Am J. gastroenterol.2018 Mar 13. DOI: 10.1038/s41395-018-0031-x
  • Obesity and the risk of colonic diverticulosis: a meta-analysis. Wijarnpreecha,K Dis Cólon Rectum 2018;61:476-483. DOI: 10.1097/DCR.00000000000999

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