Pediatria

Obesidade materna pode estar ligada à distúrbios como o TDAH em crianças?

Tempo de leitura: 3 min.

Segundo pesquisadores do Eunice Kennedy Shriver National Institute of Child Health and Human Development (NICHD), parte do National Institutes of Health (NIH), a obesidade materna pode aumentar o risco de uma criança ter transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), além de outros problemas comportamentais.

O estudo Parental Weight Status and Offspring Behavioral Problems and Psychiatric Symptoms, de Robinson e colaboradores, foi publicado na revista The Journal of Pediatrics.

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Obesidade materna e TDAH

Robinson e sua equipe objetivaram avaliar as relações de obesidade materna e paterna na pré-gravidez com problemas comportamentais da prole e sintomas psiquiátricos aos 7-8 anos. Para tanto, os autores analisaram os dados do estudo NICHD Upstate KIDS, que consistiu em uma coorte de nascimentos de base populacional originalmente estabelecida para avaliar os efeitos do tratamento de infertilidade no crescimento e desenvolvimento infantil.

O índice de massa corporal (IMC) materno foi calculado a partir da altura e peso da pré-gravidez, fornecidos em registros ou no autorrelato quatro meses após o parto. As mães informaram altura e peso paternos. Aos 7-8 anos, as mães indicaram se seus filhos haviam sido diagnosticados com TDAH ou ansiedade (n = 1915).

Além disso, o comportamento das crianças foi medido com o Strengths and Difficulties Questionnaire aos 7 anos de idade (n = 1386) e a Vanderbilt ADHD Diagnostic Parent Rating Scale aos 8 anos de idade (n = 1484). Com base nas pontuações do Strengths and Difficulties Questionnaire, os pesquisadores identificaram crianças com problemas comportamentais limítrofes. Razões de risco ajustadas (aRR) e intervalos de confiança de 95% (IC95%) foram estimados com regressão robusta multivariável de Poisson.

Leia também: O que você precisa saber sobre as novas diretrizes de TDAH?

Resultados

Os pesquisadores descreveram que, em comparação com filhos de mães com IMC <25, crianças cujas mães tinham IMC 25-30, 30-35 e ≥35 kg/m² apresentaram maiores riscos de TDAH relatados (aRR, 1,14, IC95%, 0,78-1,69; aRR, 1,96, IC 95%, 1,29-2,98; e aRR, 1,82, IC 95%, 1,21-2,74, respectivamente). Os riscos de hiperatividade identificados pelo Strengths and Difficulties Questionnaire e uma triagem positiva para comportamento desatento ou hiperativo/impulsivo com a Vanderbilt ADHD Diagnostic Parent Rating Scale também foram maiores com o aumento do IMC pré-gestação materna. O IMC paterno não foi associado a esses resultados na criança.

Nesse estudo, a obesidade materna foi relacionada ao relato materno dos diagnósticos de TDAH infantil, enquanto a obesidade paterna não foi associada a esses resultados. Os autores descrevem que os mecanismos potenciais incluem inflamação crônica no ambiente intrauterino, aumento das concentrações de hormônios metabólicos circulantes ou modificações epigenéticas associadas à obesidade.

Essa pesquisa possui algumas limitações. Primeiro, os fatores de risco genético compartilhados podem estar relacionados à obesidade infantil e ao TDAH e, portanto, as contribuições genéticas podem ser um fator de confusão não medido. Segundo, pode ter havido relatos errôneos na altura e no peso dos pais. Além disso, não há informações sobre quão confiantes as mães estavam avaliando a altura e o peso paterno.

Terceiro, é provável que possa ter ocorrido um erro de medição no comportamento infantil e nos sintomas psiquiátricos. Quarto, a falta de resposta aos questionários de acompanhamento foi grande. Por fim, a população estudada é principalmente branca, o que pode limitar a generalização desses resultados.

Veja ainda: Valproato na gestação pode aumentar risco de TDAH

Conclusões

Os pesquisadores concluem que essas informações familiares podem ajudar a identificar populações de risco elevado para rastrear problemas comportamentais na infância e fornecer uma intervenção prévia. Dada a associação consistente da obesidade materna com problemas comportamentais e sintomas psiquiátricos em crianças em estudos realizados nos Estados Unidos e na Europa, Robinson e colaboradores enfatizam a necessidade de serem consideradas abordagens baseadas em evidências para melhorar a educação em saúde e as mudanças no estilo de vida relacionadas à maternidade.

Todavia, mais pesquisas são necessárias para entender se essas mudanças durante a gravidez e/ou quaisquer intervenções pós-natais podem melhorar os riscos.

Autora:

Referência bibliográfica:

  • ROBINSON, S. L. et al. Parental Weight Status and Offspring Behavioral Problems and Psychiatric Symptoms. J Pediatr 1-10, 2020
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Publicado por
Roberta Esteves Vieira de Castro

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