Infectologia

Ômicron: a nova variante de preocupação do SARS-CoV-2

Tempo de leitura: 4 min.

Enquanto a vacinação avança no Brasil e o número de casos mantém uma tendência de queda, outros países vivem um recrudescimento da epidemia. A descoberta de uma nova variante, entretanto, preocupa as autoridades sanitárias mundiais.

Batizada de Ômicron, a variante B.1.1.529 foi detectada inicialmente na África do Sul em 24 de novembro de 2021. Dois dias depois, a Organização Mundial de Saúde (OMS) classificou-a como variante de preocupação (VOC – do inglês variant of concern). Entenda o que se sabe até o momento sobre ela.

Variantes de interesse e variantes de preocupação

Mutações virais são um fenômeno natural e frequente, favorecido pela replicação viral. Embora muitas dessas mutações sejam não funcionais e podem ser deletérias para o vírus, algumas mudanças em estruturas chave podem determinar aumento de transmissibilidade, virulência ou escape vacinal.

Diante da característica mutagênica do SARS-CoV-2, a OMS passou a classificar, de acordo com características específicas, algumas variantes como variantes de interesse (VOI) e outras como variantes de preocupação (VOC).

Sendo assim, as VOIs:

  1. Possuem alterações genéticas que têm previsão ou conhecidamente afetam características do vírus como transmissibilidade, gravidade da doença, escape imune, escape diagnóstico ou terapêutico; E
  2. Foram identificadas como causa de transmissão comunitária significativa ou de múltiplos clusters em vários países com aumento de prevalência relativa juntamente com aumento no número de casos ao longo do tempo ou outros impactos epidemiológicos aparentes que sugerem um risco emergente para a saúde pública global.

Já as VOCs atendem aos critérios de VOI e, a partir de uma avaliação comparativa, demonstraram estar associadas a pelo menos uma das seguintes mudanças de forma significativa para a saúde pública global:

  • Aumento de transmissibilidade ou alteração em epidemiologia considerada prejudicial;
  • Aumento de virulência ou mudança na apresentação clínica da doença;
  • Redução na efetividade de medidas sociais ou de saúde pública ou dos métodos diagnósticos, da terapia ou de vacinas.

Alterações genéticas da variante Ômicron

Umas das características que mais chama a atenção em relação à nova variante é a quantidade de alterações genéticas detectadas em seu sequenciamento, muitas delas em regiões da proteína S.

Enquanto algumas mutações já foram encontradas em outras VOCs, outras podem estar associadas a vantagens adaptativas modestas em relação ao vírus original e outras ainda até o momento com função desconhecida. Também foram detectadas mutações em outras regiões do SARS-CoV-2, como em genes associados a proteínas de nucleocapsídeo, que podem estar associados a aumento na transmissibilidade e que estão presentes em todas as VOCs detectadas até o presente.

Leia também: Comparação do risco de internação e atendimento de emergência entre as variantes delta e alfa: um estudo de coorte

Além disso, algumas alterações podem estar associadas à evasão da imunidade inata e à resistência a anticorpos neutralizantes.

Ômicron como VOC

Segundo a OMS, evidências preliminares sugerem um risco maior de reinfecção com a nova variante em relação a outras VOCs. Ao mesmo tempo, o número de casos pela B.1.1.529 parece estar aumentando em quase todas as províncias da África do Sul.

Os testes diagnósticos continuam a detectar a variante, mas 1 dos 3 genes alvos dos testes de PCR mais comumente utilizados não é detectado. Usando essa característica como indicativo de infecção pela Ômicron, a detecção da nova variante está acontecendo a taxas mais rápidas do que visto previamente, o que sugere uma vantagem evolutiva.

Essas alterações vistas na epidemiologia de infecções pelo SARS-CoV-2 levaram à classificação da Ômicron como VOC pela OMS. A organização solicita que os países aumentem o processo de vigilância e esforços para fazer sequenciamento das variantes circulantes, assim como procedam ao compartilhamento das informações.

O que se sabe até agora?

Até o momento, não há evidências que confirmem que a nova variante esteja associada a maior transmissibilidade ou a maior gravidade de doença. O risco de reinfecção parece ser maior, mas os dados ainda são limitados. Estudos já estão em andamento para avaliar possíveis impactos na eficácia de vacinas, testes diagnósticos e terapias.

Veja mais: O impacto da variante Delta sobre a efetividade da vacinação no Reino Unido

Ômicron no mundo

Ao todo, mais de 10 países já identificaram casos de infecção pela nova variante em sua população. Com isso, a Ômicron está presente em todos os continentes, com casos na África, do Sul, Botsuana, Canadá, Israel, Hong Kong, Alemanha, Bélgica, Dinamarca, Holanda, Itália, Reino Unido, República Tcheca e Austrália.

Ômicron no Brasil

No Brasil, a Secretaria de Vigilância em Saúde, por meio da Rede CIEVS, emitiu uma comunicação de risco em relação a nova variante. No dia 30, os dois casos primeiros de infecção pela variante B.1.1.529 foram confirmados pela análise prévia e encaminhados para análise laboratorial confirmatória.

Como resposta à identificação da Ômicron, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) prevê recomendações de medidas excepcionais e temporárias para entrada no Brasil direcionadas a estrangeiros. O fechamento das fronteiras aéreas para seis países da África já iniciou a partir do dia 29 de novembro.

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Publicado por
Isabel Cristina Melo Mendes

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