Infectologia

OMS alerta para possível falta de antibióticos nos próximos anos

Tempo de leitura: 2 min.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) fez um alerta para uma possível falta de novos antibióticos, o que pode favorecer a disseminação de bactérias resistentes a medicamentos, responsáveis por dezenas de milhares de óbitos anualmente.

A entidade mundial publicou dois novos relatórios sobre a falta de novos antibióticos. Os produtos em desenvolvimento atualmente trazem poucos benefícios sobre os tratamentos existentes e muito poucos têm como alvo as bactérias resistentes mais críticas, segundo a OMS. Embora os candidatos pré-clínicos sejam mais inovadores, eles não estarão disponíveis antes de dez anos.

“A ameaça de resistência antimicrobiana nunca foi tão imediata, e a necessidade de soluções, mais urgente. Existem muitas iniciativas em andamento para reduzir a resistência, mas também precisamos que os países e a indústria farmacêutica se envolvam e forneçam financiamento e novos medicamentos inovadores”, alertou Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor da OMS, em um comunicado enviado para a imprensa.

A resistência aos antibióticos é considerada uma ameaça pela organização, que teme que o mundo esteja caminhando para uma era, na qual infecções comuns podem começar a matar novamente.

Leia também: Quartos individuais diminuem a transmissão de bactérias multirresistentes?

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Bactérias super-resistentes

A resistência a antibióticos é uma ameaça global, com enfermidades que eram curadas com relativa facilidade até pouco tempo podem voltar a matar cerca de 10 milhões de pessoas até 2050.

Os dados apontam para um cenário alarmante com, pelo menos, sete bactérias diferentes responsáveis por doenças como pneumonia, diarreia ou infecções sanguíneas ganhando mais resistência. Outra informação preocupante é que, no mínimo, dois produtos usados até hoje já não funcionam em metade da população, como o antibiótico contra infecções urinárias causadas pela bactéria E. Coli.

Cerca de 33 mil pessoas morrem todos os anos na Europa, devido a uma infecção resistente a antibióticos. Nos Estados Unidos, essas mortes são estimadas em quase 35 mil.

“Vemos que isso está se espalhando e que estamos ficando sem antibióticos eficazes contra essas bactérias resistentes. É uma das maiores ameaças à saúde que identificamos”, disse Peter Beyer, do Departamento de Medicamentos Essenciais da OMS, durante uma coletiva de imprensa em Genebra.

Descobertos na década de 1920, os antibióticos salvam dezenas de milhões de vidas, combatendo efetivamente diversas doenças bacteriológicas.

Entretanto, ao longo das décadas, as bactérias estão mudando para resistir a esses medicamentos. Para combater essa resistência, a OMS pede o desenvolvimento de novos antibióticos, mas esse processo é complicado e caro.

Relatório

Um dos relatórios destaca uma lacuna preocupante na atividade contra o NDM-1 altamente resistente, com apenas três antibióticos em andamento. O NDM-1 torna as bactérias resistentes a uma ampla gama de antibióticos, incluindo os da família carbapenem, que hoje são a última linha de defesa contra infecções bacterianas resistentes a antibióticos.

“É importante concentrar o investimento público e privado no desenvolvimento de tratamentos eficazes contra as bactérias altamente resistentes porque estamos ficando sem opções. E precisamos garantir que, uma vez que tenhamos esses novos tratamentos, eles estejam disponíveis para todos que precisam deles”, explicou Hanan Balkhy, diretor geral assistente da OMS para resistência antimicrobiana.

Em uma nota mais positiva, a linha de agentes antibacterianos para o tratamento da tuberculose e do Clostridium difficile é mais promissora, com mais da metade dos tratamentos cumprindo todos os critérios de inovação definidos pela OMS.

*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED

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Publicado por
Úrsula Neves

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