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Sabe-se que a expectativa de vida da população mundial é cada vez maior, de forma que o dilema enfrentado pelos cirurgiões em submeter a procedimento cirúrgico pacientes de 80, 90, 100 anos é cada vez mais frequente. Deve-se colocar na balança o ganho em longevidade de um lado e do outro os riscos de complicações, de perda de autonomia e de mudança na qualidade de vida. Por exemplo, um idoso com câncer retal de indicação cirúrgica deve considerar que permanecerá em casa por um longo tempo incapaz de cuidar de si próprio e desempenhar suas atividades diárias sozinho.

O tempo de recuperação pós-operatória bem como as taxas de complicações aumentam progressivamente com a idade. Íleo paralítico, tromboses, hematomas, delirium, pneumonia, infecção urinária fazem parte do dia a dia dos residentes que passam visita nas enfermarias. Poucos são os que recebem alta hospitalar precoce, sendo capazes de cuidar de si próprios em casa. Na maioria dos casos, a internação é mais prolongada ou a alta está condicionada ao acionamento de um home care ou transferência para uma unidade de cuidados.

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O risco cirúrgico do paciente e seu performance status fornecem dicas importantes acerca da possibilidade do paciente se recuperar totalmente após ser submetido a uma cirurgia. Já se sabe que na medicina (e no amor), as palavras ‘sempre’ e ‘nunca’ não podem ser usadas, porém com base na avaliação pré-operatória pode-se inferir se haverá diminuição de mobilidade, necessidade por suplementação de oxigênio e aumento na quantidade de medicamentos tomados diariamente.

É importante que o próprio paciente e seus familiares façam todos os questionamentos e esclareçam suas dúvidas para que a decisão seja tomada de forma consciente. Cada paciente apresenta suas peculiaridades e talvez um idoso maratonista aos seus 70 anos de idade se recupere mais rapidamente que uma jovem obesa, sedentária e diabética aos seus 15 anos. Essas peculiaridades que devem ser consideradas pelo cirurgião para auxiliar apropriadamente seus clientes.

A tomada de decisão é pessoal, enquanto, é claro, a vida do paciente não depender inteiramente do procedimento cirúrgico. Logo, deve-se reunir a maior quantidade possível de informações. Pergunte seu médico acerca de cada detalhe que te preocupa. Converse com seus familiares. Use sua rede de apoio para realizar a escolha. Não existe resposta certa ou errada, apenas o que é melhor para cada paciente, individualmente.

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Referências:

  • Dworsky JQ et al. Surgical decision making for older adults. JAMA 2019; 321 (7): 716.
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2 comentários

  1. Dr. Thales Henrique Costa e Gonçalves

    Penso que na geriatria o principal fator determinante, após análise da funcionalidade, síndrome de fragilidade e questionamento de comorbidades, seja o compartilhamento dos pós e contras relacionados ao ato cirúrgico com o paciente e familiares.
    Uma avaliação geriátrica ampla bem feita pode predizer desfechos desfavoráveis e não só a idade pode ser levada em conta. O exame geriátrico no pré operatório se faz de suma importância.

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