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Os probióticos podem melhorar os sintomas da síndrome do intestino irritável?

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A síndrome do intestino irritável é um distúrbio gastrointestinal funcional caracterizado por dor abdominal associado a alteração na forma ou na frequência das fezes; não associado a alterações estruturais ou bioquímicas¹. A prevalência varia na dependência da população estudada  sendo mais frequente em mulheres jovens e pacientes com comorbidades psicológicas. A etiopatogenia desta síndrome ainda não está totalmente elucidada, mas o papel da disbiose, com alteração da comunicação eixo cérebro-intestino é o mais descrito na literatura². A hiperalgesia visceral, fatores genéticos, ambientais também são aventados. A síndrome do intestino irritável pode ser classificada em: síndrome do intestino irritável com obstipação predominante (SII-C), síndrome do intestino irritável com predomínio de diarreia (S11-D), SII com hábitos intestinais mistos (S1I-M) e SII indeterminada¹ ². 

O diagnóstico é clinico baseado nos critérios de Roma IV¹. Exames complementares, tais como antitransglutaminase para doença celíaca, pesquisa de intolerâncias a carboidratos, exame parasitológico de fezes, colonoscopia só serão solicitados em casos selecionados e após avaliação clínica detalhada. 

Não há um guideline para o tratamento da síndrome do intestino irritável. Porém, recentemente o Colégio Americano de Gastroenterologia publicou diretrizes sobre o tratamento³:

  • Alimentação.  A dieta pobre em FODMAPs (ou oligossacarídeos fermentáveis, dissacarídeos, monossacarídeos e polióis), proposta Peter Gibson da Monash University pode ser útil no tratamento a curto prazo.  O uso de fibras solúveis também foi indicado para tratamento de síndrome do intestino irritável.
  • Medicamentos. Segundo as diretrizes Americanas são citados como efetivos, a Mentha piperita para alívio de sintomas, a lubiprostona para a SII-C, o Tegaserode, a Rifaximina na SII-D ou antidepressivos tricíclicos. Não estão recomendados o PEG (polietilenoglicol) na SII-C, e nem a colestiramina  ou loperamida na SII-D. 
  • Psicoterapia pode ser indicada para melhora dos sintomas. 
  • Transplante fecal.  Não está indicado uma vez que os estudos têm baixa evidência científica.

síndrome do intestino irritável

E os probióticos podem ser úteis na síndrome do intestino irritável?

Considerando o papel da disbiose na fisiopatologia da síndrome do intestino irritável, postula-se a prescrição de probióticos no tratamento. A Figura a seguir ilustra possível mecanismo de ação dos probióticos.

Segundo Benjak et al 2021 os possíveis mecanismos de ação seriam: 

  • SII-C: redução de gases, da dor abdominal, aumento da frequência das fezes e redução da distensão abdominal; 
  • SII-D: redução de gases, da dor abdominal, da frequência das fezes e melhora da frequência e da consistência das fezes; 
  • SII-M: diminuição dos dias sem dor e 
  • SII- I: não determinado o efeito.

Estudos In vitro e in vivo mostraram que a combinação probiótica  chamada de VSL#3 (L. acidophilus, L. plantarum, L. caseie Lactobacillus delbrueckii, Bifidobacterium breve, B. Longum, B. infantis e Streptococcus salivarius) é capaz de modular a resposta imune do hospedeiro, microbiota intestinal, vias anti-inflamatórias, respostas à dor visceral e função da barreira epitelial; o que pode levar a melhora dos sintomas com redução de distensão e dor abdominal.

Em uma meta-análise de 42 ensaios clínicos randomizados, 34 relataram melhoria em pelo menos um sintoma gastrintestinal com uso de probióticos. A principal limitação da maioria dos estudos foi a heterogidade dos grupos. A análise de diversos estudos concluiu que o uso de um probiótico, em vez de uma combinação de várias cepas, tomado em um curto período e em baixa dose, mostrou-se melhor no estado geral dos pacientes e melhora na qualidade de vida. Isso poderia ser por efeito negativo entre as cepas. Outros estudos sugeriram que os probióticos contendo várias cepas seriam mais benefícios na síndrome do intestino irriável, pois cada espécie bacteriana produziria um efeito diferente no sistema gastrointestinal, e duas ou mais espécies probióticas em combinação teriam um efeito sinérgico.

Leia também: O uso de probióticos na dor abdominal funcional pode ser benéfico?

Segundo as diretrizes do Colégio Americano de Gastroenterologia, os estudos sobre probióticos no tratamento da Síndrome do Intestino Irritável têm limitações científicas por inconsistência nas variáveis estudadas, tais como: diferentes tipos de cepas, períodos de tratamento variável, pequeno número de indivíduos e grupos heterogêneos de pacientes, além das diferenças na apresentação clínica da síndrome (diarreia/constipação) 

 Em resumo, os probióticos podem ser prescritos em casos selecionados de Síndrome do Intestino Irritável, mas ainda carecem de maiores estudos científicos.

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# Rome IV Criteria. Rome Foundation. Disponível em: https://theromefoundation.org/rome-iv/rome-iv-criteria/. Acesso em: maio de 2022  # Ford AC, Sperber AD, Corsetti M, Camilleri M. Irritable bowel syndrome. The Lancet. Functional Gastrointestinal Disorders 2020; 396 (10263):P1675-1688.  Doi.org/10.1016/s0140-6736(20)31548-8   # Lacy BE, et al. ACG clinical guideline: management of irritable bowel syndrome. Am J Gastroenterol. 2020; 00: 1-28. doi: 14309/ajg.0000000000001036.  # Andrade, VLA et al. Dieta restrita de FODMEPs como opção terapêutica na síndrome do intestino irritável: revisão sistemática. GED gastroenterol. endosc. dig. 2014: 34(1): 34-41  # Benjak Horvat I, Gobin I, Kresović A, Hauser G. How can probiotic improve irritable bowel syndrome symptoms? World J Gastrointest Surg. 2021;13(9):923-940. doi:10.4240/wjgs.v13.i9.9234.   # Clarke G, Cryan JF, Dinan TG, Quigley EM. Review article: probiotics for the treatment of irritable bowel syndrome--focus on lactic acid bacteria. Aliment Pharmacol Ther 2012; 35: 403-413 [PMID: 22225517 DOI: 10.1111/j.1365-2036.2011.04965.x] 
Referências bibliográficas:

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