Cirurgia

Osteoartrite de joelho: infiltração com ácido hialurônico vs plasma rico em plaquetas 

Tempo de leitura: 3 min.

A artrose do joelho é uma condição prevalente e que afeta a qualidade de vida de uma parcela significativa da população. Embora estratégias de tratamento cirúrgico sejam recomendadas para casos de doença avançada, casos leves a moderados possuem recomendação de tratamento conservador.

O tratamento conservador inclui uma série de recomendações tais como perda ponderal, fisioterapia, prática de exercícios, uso de medicações analgésicas, medicações orais e infiltrações articulares para o tratamento de artrose. Alguns destes tratamentos ainda carecem de comprovação quanto ao resultado e segurança. 

Leia também: Osteoartrite do joelho: fisioterapia ou injeção de glicocorticoide?

A infiltração articular pode ser uma das modalidades de tratamento propostas. O tratamento pode incluir o procedimento de viscosuplementação através da injeção intra-articular de derivados do ácido hialurônico (AH) com a finalidade de promover efeito analgésico e modificar características mecânicas e biológicas do líquido articular. A literatura investiga ainda o potencial de tratamentos envolvendo o uso de ortobiológicos como o plasma rico em plaquetas para uso em condições como a osteoartrite do joelho.

O plasma rico em plaquetas (PRP) é uma modalidade de tratamento não liberada em nosso meio pelos órgãos regulamentadores, exceto em protocolos de pesquisa com aprovação pelos comitês de ética e consentimento informado ao paciente. Trata-se de uma preparado obtido através da coleta de sangue periférico seguido de centrifugação para separar e concentrar a porção rica em plaquetas do plasma. Acredita-se que este concentrado possa concentrar citocinas que modificariam a resposta inflamatória no tecido em que a aplicação é realizada. 

Análise recente ácido hialurônico vs plasma rico em plaquetas

Uma revisão sistemática e metanálise foi publicada em 2021 buscando os resultados da literatura até então comparando o uso de PRP e ácido hialurônico em uma revista ortopédica de alto impacto.

Foi promovido um levantamento bibliográfico em diferentes bases de dados com os descritores  “platelet-rich plasma hyaluronic acid knee osteoarthritis randomized” incluindo estudos com que tiveram como participantes portadores de osteoartrite do joelho diagnosticados com base em avaliação radiográfica. Foram incluídos apenas ensaios clínicos randomizados de nível 1 publicados em inglês. A intervenção realizada envolvia injeções intra-articulares de PRP tendo como comparador injeções intra-articulares de ácido hialurônico. Os resultados incluíram a eficácia clínica e eventos adversos. Foram excluídos estudos de nível 2-5 que não atenderam aos critérios de inclusão mencionados.

Após a adoção dos critérios de inclusão e exclusão foram selecionados 18 estudos. As avaliações descritas incluíram os escores WOMAC, IKDC e EVA. Também foi analisada a influência do tipo de PRP utilizado ( rico ou pobre em leucócitos). Os estudos incluíram no total 1.608 pacientes (PRP, n =811; AH, n = 797). A idade média 57,6 e 59,3 anos no PRP e AH. Seguimento médio 11,1 meses para cada grupo. Sexo masculino 40,9% e 40,6% nos grupos PRP e AH.

Saiba mais: O bloqueio da interleucina 1-beta (IL-1b) na osteoartrite de joelhos e quadril

Quanto ao PRP, dos 18 estudos selecionados 11 não relataram a concentração de plaquetas; Os sistemas usados ​​para preparação de PRP foram altamente variáveis ​​e em grande parte não relatados e as vias de administração foram distintas; 8  estudos utilizaram PRP rico em leucócitos; 7 PRP pobre em leucócitos e 3 estudos não relataram o tipo de PRP. A concentração de leucócitos foi em grande parte não relatada.

A melhora média foi significativamente maior no grupo plasma rico em plaquetas (44,7%) do que no grupo ácido hialurônico (12,6%) para os escores totais do WOMAC (P <0,01). Dos 11 estudos baseados na EVA, 6 relataram que os pacientes com PRP tinham significativamente menos dor no último acompanhamento quando comparados com os pacientes com AH (P <0,05). De 6 estudos baseados na pontuação do resultado IKDC Subjetivo, 3 relataram que os pacientes com PRP tinham pontuações significativamente melhores no último acompanhamento quando comparados com os pacientes com AH (P <0,05). Finalmente, o PRP pobre em leucócitos foi associado a pontuações IKDC subjetivas significativamente melhores em comparação com o PRP rico em leucócitos (P <0,05).

Conclusão

Os resultados sugerem que os pacientes em tratamento para OA de joelho com injeções de plasma rico plaquetas podem experimentar melhores resultados clínicos a curto prazo, do que os pacientes que receberam injeções de ácido hialurônico.

Os resultados desse estudo devem ser interpretados com cautela. O estudo apresenta pontos fortes por seu desenho e metodologia. Existem limitações importantes na análise dos resultados devido a heterogeneidade dos estudos e ao tempo de seguimento curto e muito variável 3-24m. Lembramos novamente que o uso de PRP não é recomendado como estratégia terapêutica e nem aprovado para uso em nosso meio, seu papel é investigado em pesquisas e talvez no futuro essa possa ser mais uma das estratégias que poderemos dispor para o tratamento de pacientes com osteoartrite do joelho.

Referências bibliográficas:

  • Belk JW, Kraeutler MJ, Houck DA, Goodrich JA, Dragoo JL, McCarty EC. Platelet-Rich Plasma Versus Hyaluronic Acid for Knee Osteoarthritis: A Systematic Review and Meta-analysis of Randomized Controlled Trials. Am J Sports Med. 2021 Jan;49(1):249-260. doi: 10.1177/0363546520909397.
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Publicado por
Rafael Erthal

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