Este mês, definido como mês da conscientização contra o câncer de mama, Outubro Rosa, também envolve saber quais cirurgias podem ser utilizadas para “reconstruir as mamas” após a retirada de um câncer, como a cirurgia oncoplástica da mama. A Lei nº 13.770/2018 garante que toda mulher tenha direito a uma cirurgia plástica reconstrutiva da mama em casos de mutilação decorrente de tratamento de câncer.

As diferentes abordagens cirúrgicas que unem a cirurgia de remoção oncológica com técnicas da cirurgia plástica e reconstrutiva são conhecidas atualmente como cirurgia oncoplástica da mama ou simplesmente, oncoplastia (OP).

Este enfoque da cirurgia da mama compreende uma série de procedimentos que vão desde a remodelação mais simples, com mobilização de tecido mamário, a estratégias cirúrgicas que permitam a ressecção de até quase 50% do volume mamário.

A OP é um dos maiores avanços na cirurgia do câncer de mama e vem ampliar o uso da tumorectomia no que diz respeito ao volume ressecado, permitindo extirpação de tumores maiores, de tumores multifocais, carcinoma ductal in situ extenso e a possibilidade de melhorar os resultados estéticos nos tumores centrais ou dos quadrantes inferiores.

A fusão com as técnicas de cirurgia plástica veio ainda permitir a diminuição dos efeitos secundários da radioterapia na mama ptótica ou hipertrofiada, conjugando o tratamento oncológico à redução do volume mamário. A cirurgia oncoplástica da mama é baseada em três pontos fundamentais: cirurgia oncológica ideal, reconstrução homolateral e remodelamento contralateral imediato.

Veja também: Biópsia líquida pode detectar recidivas de Câncer de Mama

No geral, são mamoplastias redutoras, aplicando-se diversos pedículos. Entretanto, deve-se ter domínio de três principais: pedículo superior, pedículo inferior e round-block, possibilitando o remodelamento de cerca de 90% dos casos de cirurgias conservadoras.

O planejamento operatório deve ser adequado, enfatizando o tamanho e localização do defeito, a proximidade com a pele e com o complexo aréolo-mamilar, tempo cirúrgico, experiência do cirurgião, expectativas e condições clínicas da doente, a avaliação do volume, ptose mamária, grau de lipossubstituição e relação volumétrica tumor-mama.

Cirurgia oncoplástica da mama

Indicações da oncoplastia mamária:

  • Gigantomastias;
  • Mamas com ptose acentuada;
  • Necessidade de ressecções amplas de pele;
  • Mamas pequenas mas com possibilidade de correção de defeito com técnicas de mamoplastia;
  • Tumores localizados em regiões inseridas em áreas clássicas de redução mamária.

Existem contraindicações relativas, como:

  • Mamas pequenas e tumores extensos de região medial;
  • Mamas não ptóticas e de pequeno volume
  • Radioterapia prévia;
  • Ressecção extensa de pele fora da área de mamoplastia;
  • Tabagismo;
  • Diabetes descompensado;
  • Expectativas desproporcionais.

A cirurgia

Localização Ptose Técnica
Tumores de QSM, QQSS, QSL com ptose Pedículo inferior
sem ptose Round-Block
Tumores de quadrante central sim e com ptose Grisotti
sim, mas sem ptose Bolsa de tabaco
Tumores de QIL, QIM, QQII sim, com ptose e pele redundante Pitanguy
com ptose, mas sem pele redundante Lejour
sem ptose Round-Block

Existem ainda muitas outras técnicas que podem ser realizadas, inclusive utilizando-se próteses mamárias, onde serão tratadas em uma segunda oportunidade.

Os cuidados pós-operatórios são:

  • Não retirar pontos antes de 15-21 dias;
  • Usar sutiã cirúrgico por 30 dias;
  • Evitar elevar os membros superiores a cima do nível do ombro por 21-30 dias;
  • Não dormir em decúbito ventral ou lateral.

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Autor:

Referências bibliográficas:

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Publicado por
Adriana Marinho Dapont

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