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Paracetamol: está na hora de parar de prescrevê-lo?

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O paracetamol é um dos mais utilizados na prática médica quando o assunto é dor. Seja para dor de cabeça, nas costas ou combinado a outras substâncias na dor crônica, o medicamento é pouco contrariado no ramo, talvez por estar há muito tempo no mercado, e, no fim, pouco estudado. Mas, segundo uma revisão de estudos, ele não é tão eficiente assim.

Um estudo feito com mais de 1.800 participantes envolveu o uso do paracetamol contra um placebo em dois ensaios. Eles tinham dores nas costas aguda (recentemente) ou crônica (por mais de seis semanas), e cerca de 90% era de meia-idade.  O resultado apontou que o paracetamol via oral não é melhor que o placebo pra aliviar a dor, assim como não se mostrou melhor em outros aspectos estudados, como qualidades de vida e do sono. Além disso, um a cada cinco pessoas teve efeitos colaterais, mas poucos foram sérios. Os tratamentos duraram quatro semanas e variavam de uma única dose de um grama por administração intravenosa até quatro gramas em 24 horas por via oral. Os pacientes foram observados até 12 semanas.

Um artigo publicado no blog da Cochrane uniu esse estudo a diversos outros para uma revisão. Além do estudo com dores nas costas, outra pesquisa concluiu que na osteoartrite o medicamento tem benefício pouco significativo, cerca de 3/100 mm em relação ao placebo. Sobre dores neuropáticas crônicas, uma revisão ainda não concluída está revelando que não há evidência de efeitos positivos em determinadas doenças. Em enxaquecas, o efeito também é irrelevante.

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Mas não para por aí. A segurança do remédio também está sendo contrariada por pesquisadores. Alguns estudos mostram que o paracetamol está relacionado ao aumento da mortalidade; de eventos cardiovasculares, como acidente vascular cerebral, e gastrointestinais, como úlceras; e de insuficiência renal. Um dos ensaios sobre dor crônica, por exemplo, mostrou que pacientes que utilizavam a medicação tinham quatro vezes mais probabilidade de ter resultados anormais em testes de função hepática do que aqueles que tomavam placebo.

São diversas evidências e, por isso, estudos mais aprofundados talvez sejam necessários para entender os efeitos e pesquisar quais as melhores opções para diferenciados pacientes. Como o medicamento é consumido em larga escala em todo o mundo, essa é uma questão que não deve ser ignorada.

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