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Parassonias: a abordagem do pediatra

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Parassonias são eventos físicos ou sensações indesejáveis que ocorrem durante o sono REM, o sono não REM ou transições do sono. A faixa etária pediátrica compreende o principal grupo afetado por tais eventos durante o sono, sendo assim relevante no atendimento ambulatorial pediátrico.

Podemos dividir os estágios da consciência humana em três:

  1. O estado de vigília
  2. O sono REM
  3. O sono não REM (NREM)

As parassonias ocorrem quando dois ou mais estágios coexistem, denominado estágio de dissociação. Nesse estágio as funções cognitivas altamente especializadas ficam diminuídas, porém as funções motoras se encontram ativas.

As parassonias do sono NREM podem ser divididas em despertar confusional, sonambulismo e terror noturno e geralmente não estão associados a nenhum distúrbio de base.

O despertar confusional se caracteriza por episódios em que o indivíduo fica restrito ao leito, chega a sentar-se e observar o ambiente de maneira confusa, sua prevalência chega a 17,3% em crianças de 3 a 13 anos, diminuindo sua incidência após os 5 anos de idade.

Já o sonambulismo se apresenta predominantemente em escolares e diminui sua incidência com a idade, se apresenta em geral após um episódio de despertar confusional com ações que podem mimetizar atos cotidianos até comportamentos inadequados. Os pacientes podem retornar para cama e continuar a dormir ou despertar durante o episódio. Vale ressaltar que episódios estereotipados e repetitivos devem entrar no diagnóstico diferencial com crises de epilepsia.

O terror noturno geralmente se inicia após os 4 anos de idade, se apresentando com grito agudo, choro e sintomas como taquicardia, taquipneia, rubor, diaforese e aumento do tônus muscular. As tentativas de despertar a criança podem ser inúteis e ainda prolongar a duração do episódio.

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Por outro lado, as parassonias do sono REM geralmente se associam a doenças neurológicas tais como narcolepsia, tumores cerebrais e atraso do desenvolvimento neuropsicomotor. Os episódios caracterizam-se por vocalização e⁄ou comportamento anormal durante o sono. O comportamento geralmente é complexo, se assemelhando a ações de um sonho e o paciente se apresenta de olhos fechados. O diagnóstico é feito através da polissonografia completa laboratorial com vídeo.

A enurese é uma das parassonias mais comuns de queixa nos consultórios pediátricos, sendo definida como ao menos 2 episódios por semana de perda urinária involuntária no momento do sono, durante pelo menos 3 meses, em pacientes maiores de 5 anos. Pode ser dividida em primária, na qual o paciente nunca controlou a diurese durante o sono, ou secundária quando o paciente controlou a diurese pelo menos durante 6 meses. Esta parassonia chega acometer em cerca de 15-20% das crianças até 5 anos, sendo mais comum no sexo masculino e tendo um importante caráter genético. Doenças como diabetes, infecção urinária e epilepsia propiciam ao aumento dos episódios de perda urinária e devem sempre ser descartadas.

Os episódios de parassonias do sono NREM em geral não precisam de investigação secundária, pois raramente estão associada a doenças de base. Nos casos de enurese cabe uma anamnese completa, ressaltando quadros familiares semelhantes, e análise de urina.

Por fim, o tratamento inicial consiste em bons hábitos de sono e em ambiente adequado. Doenças como asma e distúrbios respiratórios podem fragmentar o sono e portanto devem ser tratados prontamente. Para os casos de enurese, deve-se orientar restringir o consumo de líquidos 1 hora antes de ir para cama e esvaziar a bexiga antes de dormir. A medicação apenas deve ser utilizada nos casos que afetem a qualidade do sono do paciente e dos familiares, sendo a mais utilizada o clonazepam 0,5 a 1,0 mg⁄dia durante 3 meses, revendo dose após esse período.

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