Ginecologia e Obstetrícia

Parto prematuro e risco de hipertensão arterial futura

Tempo de leitura: 2 min.

As doenças cardiovasculares são as maiores causadoras de mortes entre homens e mulheres no mundo. Na população feminina, entretanto, os estudos ainda são poucos e a prevalência é subestimada. Segundo Colégio Americano de Cardiologia e a American Heart Association metade das mulheres no mundo são hipertensas (níveis pressóricos ≥ 130/80 mmHg ou usam drogas anti-hipertensivas) As síndromes hipertensivas na gestação (pré-eclâmpsia e outras síndromes hipertensivas) são responsáveis por deixar como sequela algumas mulheres com hipertensão crônica. Boa parte desses pacientes desenvolvem trabalho de parto prematuro. Ainda não se sabe qual a contribuição independente do trabalho de parto prematuro nos componentes hipertensivos dessas pacientes. 

Parto prematuro acomete em torno de 11% das gestações no mundo — 15 milhões de nascimentos por ano no mundo. Poucos estudos pesquisaram o risco relativo de mulheres com parto prematuro com ou sem pré-eclâmpsia evoluírem com hipertensão crônica no futuro, tendo encontrado um risco relativo entre 1,1 e 1,5 dessas mulheres evoluem com hipertensão. 

Leia também: AAP 2021: avaliação de sepse tardia e terapia empírica em prematuros extremos

Estudo recente

Assim, os autores de um trabalho publicado no JAMA Cardiology, de 13 de outubro de 2021, lotados no Mount Sinai Hospital de Nova Iorque e universidade de Lund na Suécia, fizeram um estudo de coorte usando os registros de pré-natal desde 1 de janeiro de 1973 a 31 de dezembro de 2015 da Suécia. Selecionaram apenas gestações únicas de mulheres primigestas, de modo a evitar vieses de multiparidade podendo evoluir com partos prematuros. Mulheres com hipertensão prévia foram excluídas do estudo. 

O estudo tem muitos pontos fortes, sendo a coorte de 42 anos o mais relevante. Covariáveis como idade, idade gestacional no parto, tabagismo, nível educacional, IMC, condição de trabalho, outras patologias como diabetes durante a gestação foram consideradas para ajuste do risco relativo resultando em 2.600.924 partos de 1.559.495 mulheres no período.

Resultados

Nesta coorte nacional de mais de 2 milhões de mulheres, o parto prematuro foi associado (RR de 1,6 e 2,2 respectivamente para prematuros e prematuros extremos) a maiores riscos futuros de doenças crônicas hipertensão, mesmo após o ajuste para pré-eclâmpsia, outros distúrbios hipertensivos da gravidez, outros fatores maternos e fatores familiares compartilhados não medidos. Esses riscos eram os maiores nos primeiros 10 anos, mas permaneceram significativamente elevados pelo menos 40 anos depois. O parto prematuro deve agora ser reconhecido como um fator de risco para hipertensão ao longo da vida. 

Mulheres com histórico de parto prematuro precisam de avaliação preventiva precoce e redução de risco a longo prazo e monitoramento para hipertensão.

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Referências bibliográficas:

  • Crump C, Sundquist J, Sundquist K. Preterm Delivery and Long-term Risk of Hypertension in Women. JAMA Cardiol. Published online October 13, 2021. doi: 10.1001/jamacardio.2021.4127.
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Publicado por
João Marcelo Martins Coluna

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