Ginecologia e Obstetrícia

Parto prematuro: usar ou não progesterona?

Tempo de leitura: 2 min.

O nascimento de fetos prematuros pode trazer prejuízos desde o nascimento, logo após o parto, até repercussões na vida adulta dessas crianças. A morbimortalidade associada à prematuridade é amplamente discutida na literatura e tratada pela obstetrícia.

Potenciais complicações incluem:

  • Infecções neonatais;
  • Síndrome de desconforto respiratório recém nascido;
  • Longos períodos de internação;
  • Retardo desenvolvimento neuropsicomotor;
  • Paralisia cerebral;
  • Déficits cognitivos e evolutivos;
  • Doenças respiratórias na vida adulta.

Enfim, se a prematuridade pudesse ser prevenida ou evitada essas intercorrências poderiam ser minimizadas.

Com esse objetivo temos protocolos de prevenção de trabalho de parto prematuro sugerindo o uso de progesterona de forma profilática.

Leia também: Parar de fumar ainda na gravidez reduz parto prematuro

Progesterona no parto prematuro

Um trabalho bem interessante publicado no American Journal of Perinatology utilizou um grande estudo multicêntrico incluindo 1740 mulheres, de nove países. Essas mulheres eram randomizadas desde 16 a 20 semanas para entrar no protocolo para receber progesterona como forma de prevenção de novos partos prematuros.

Os autores não encontraram diferenças significativas nos grupos estudados. A comparação do uso de caproato de progesterona intramuscular com placebo não mostrou-se significante.

Mais do autor: Sepse na gestação: como não perder o diagnóstico de vista

O protocolo do Colégio Americano de Ginecologia e Obstetrícia ainda orienta uso de progesterona como forma de profilaxia para partos prematuros, apesar de sugerir a discussão de dose e vias de administração com as pacientes.

Protocolo no Brasil

No Brasil, seguimos o mesmo protocolo, com administração de progesterona por via vaginal ou oral.

Entretanto, não temos estudos que quantifiquem e digam se existem complicações a longo prazo nos recém-nascidos cujas mães usaram progesterona durante longos períodos na gravidez.

Referência bibliográfica:

  • Practice Advisory: Clinical guidance for integration of the findings of the PROLONG study: Progestin’s Role in Optimizing Neonatal Gestation. American College of Obstetricians and Gynecologists. Disponível em <https://www.acog.org/Clinical-Guidance-and-Publications/Practice-Advisories/Clinical-guidance-for-integration-of-the-findings-of-The-PROLONG-study-Progestins-Role-in-Optimizing>
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Publicado por
João Marcelo Martins Coluna

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