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dermatologista examinando pinta de paciente

Passo a passo na descrição das lesões dermatológicas

Tempo de leitura: 4 minutos.

Qual médico ou estudante de medicina nunca se deparou com um paciente com alguma lesão de pele e ficou em dúvida como descrevê-la correta e detalhadamente? Essa é uma dificuldade muito comum para o médico não especialista, mas com este passo a passo, esperamos esclarecer um pouco mais o assunto para vocês.

Fazendo uma analogia básica, comparem a descrição de uma lesão dermatológica a um jogo de adivinhação, onde você tem que fazer com que seu parceiro acerte o objeto através de sua descrição, sem poder falar o nome do objeto. Por exemplo: um objeto redondo, de metal, com tampa, que colocamos em cima do fogão para cozinhar. Pensaram em uma panela? Pois então, ao descrever uma lesão de pele, o ouvinte deve ter a mesma sensação e poder imaginá-la corretamente através do seu detalhamento.

Ao examinar um paciente com lesão dermatológica, devemos seguir uma sequência de raciocínio: padrão da lesão (morfologia básica) -> forma e tamanho -> coloração da lesão (alteração de pigmento ou de vascularização) -> textura (alteração de superfície) -> sintomas (se houver) -> localização.

Morfologia básica:

  • Mácula: lesão plana, sem relevo. É identificada por uma alteração da cor na região.
  • Pápula: elevação sólida, circunscrita, de até 1 cm de diâmetro.
  • Placa: lesão palpável, elevada em “platô”. Pode ser decorrente da confluência de várias pápulas ou não.
  • Nódulo: lesão firme, endurada, circunscrita, podendo ser mais ou menos saliente. Na maioria das vezes é mais palpável que visível.
  • Urtica: lesão em relevo, com edema, coloração vermelho-róseo. Decorrente de edema dérmico.
  • Vesícula: pequena lesão de conteúdo líquido claro. Em outros termos, é uma bolha de até 1 cm de diâmetro.
  • Bolha: lesão elevada de conteúdo líquido claro. Deve ter mais de 1 cm de diâmetro.
  • Pústula: pequena lesão superficial, elevada, semelhante à vesícula, mas com conteúdo amarelado (pus) em seu interior.
  • Abcesso: coleção purulenta profunda, que em geral cursa com sinais flogísticos.
  • Úlcera: lesão com perda da continuidade da epiderme até derme, com evidência de material cruento.

Formas e Tamanhos

  • Puntiforme: arredondadas de aproximadamente 1 mm.
  • Lenticular: ovaladas, do tamanho de uma lentilha.
  • Numular: arredondadas, forma de “moeda”.
  • Arciformes: em forma de arco.
  • Anulares: em forma de anel.
  • Tamanho: aproximado em mm ou cm.

Coloração da lesão

  • Eritematosa: coloração vermelha, devido à vasodilatação.
  • Purpúrica: coloração vermelha a vermelho-violácea, devido ao extravasamento de hemácias do vaso. Não desaparece à digito-pressão.
  • Equimose: mancha devido ao extravasamento de sangue do vaso, quando ultrapassa 1 cm de diâmetro.
  • Hipo, Hiper ou Normocrômica: coloração mais clara, mais escura ou na mesma tonalidade da pele, respectivamente.
  • Acrômica: coloração totalmente sem pigmento, “branco nacarado”.
  • Outras alterações de cor: basta descrever a tonalidade observada, acastanhada, esverdeada, múltiplas tonalidades de marrom, etc.

Veja também: ‘As 5 doenças dermatológicas que todo clínico deve conhecer’

Textura

  • Erosão: perda parcial da integridade da epiderme.
  • Exulceração: perda parcial da integridade da epiderme um pouco mais profunda, podendo atingir, em alguns pontos, a derme superficial.
  • Escamas: lâminas de queratina, que podem se destacar da lesão.
  • Crosta: resíduo espesso e endurado, decorrente do ressecamento de conteúdo seroso ou líquido exposto da lesão.
  • Fissura: fenda linear, estreita na pele, podendo ser rasa ou profunda.
  • Fístula: pertuito interno na pele, por onde ocorre drenagem de material proveniente de foco inflamatório ou infeccioso.
  • Liquenificação: espessamento da pele com acentuação dos sulcos, decorrente de coçadura crônica.
  • Esclerose: perda do pregueamento natural da pele, alternado sua consistência, tornando-se lisa e endurada, evoluindo com o desaparecimento dos sulcos cutâneos.
  • Vegetação: superfície elevada, irregular, úmida ou seca.
  • Verrucosa: superfície elevada, aspecto de verruga, seca, áspera.
  • Atrofia: adelgaçamento da pele, devido à diminuição dos elementos constituintes do tecido.

Sintomas

  • Os sintomas mais associados às lesões cutâneas são: prurido, dor, parestesia e ardência.

Localização

  • Basta descrever o sítio anatômico onde encontra-se a lesão: disseminada, seguindo a linha de um dermátomo, membro inferior, etc.

Com este passo a passo, conseguimos descrever a maioria das lesões dermatológicas encontradas no nosso dia a dia.

Viram como não é difícil? Por exemplo: placas eritematosas escamativas, de 2 cm de diâmetro, pouco pruriginosas, localizadas nos cotovelos de paciente do sexo feminino com 40 anos de idade. Conseguem imaginar a lesão? É uma descrição típica de psoríase, mas o diagnóstico diferencial através da análise do padrão das lesões é tema para um próximo texto.

E como toda regra tem sua exceção… claro que a Medicina não é uma ciência exata, e a Dermatologia é um universo fascinante. Nem todas as lesões elementares, primárias e secundárias foram descritas neste texto, apenas as mais usadas e encontradas nas principais lesões cutâneas da prática ambulatorial.

Até a próxima!

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Autora:

Referências:

  • Azulay RD, Azulay DR, Abulafia-Azulay L. Dermatologia. 6.ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2013.
  • Bechelli LM, Curban G. Compêndio de Dermatologia. 6. ed. São Paulo: Atheneu; 1988.
  • Sampaio SAP, Rivitti EA. Manual de Dermatologia. 3. ed. São Paulo: Artes Médicas; 2008.
  • Belda Jr W, Di Chiacchio N, Criado PR. Tratado de Dermatologia. 2. ed. São Paulo: Atheneu; 2014.
  • Bolognia JL, Jorizzo J, Rapini RP, editors. Dermatology. 2nd ed. St. Louis, MO: Mosby-Elsevier; 2008

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