Endocrinologia

Perfil dietético: qual o seu impacto nos pacientes diabéticos?

Tempo de leitura: 3 min.

Os desafios no manejo de pacientes diabéticos não são poucos, sendo necessários esforços constantes do paciente e do profissional de saúde para o melhor desfecho no tratamento, que é focado em mudanças de estilo de vida e uso de medicações.

Constituinte importante desse manejo clínico é a análise do perfil dietético nesses pacientes, assunto relevante e com menos destaque que a evolução ou criação de novas terapias farmacológicas.

Pensando nessa perspectiva, uma recente revisão sistemática e meta-análise de ensaios clínicos randomizados foi realizada pelo British Medical Journal, tendo como objetivos o impacto de uma dieta constituída de alimentos com baixo índice e carga glicêmicos (IG e CG) nos valores de hemoglobina glicada e outros marcadores de controle glicêmico, além de fatores relevantes de desfechos cardiometabólicos como perfil lipídico, adiposidade, pressão arterial e inflamação.

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Métodos

Foi realizada uma revisão sistemática e meta-análise de ensaios clínicos randomizados, utilizando como fonte as plataformas Medline, Embase e a Cochrane Library. 

Foram alocados dois revisores independentes para extração de dados e observação do risco de viés e para avaliar a certeza e classificação de evidências, foi usada a abordagem GRADE (grading of recommendations assessment, development, and evaluation).

Resultados e discussão

No total foram analisados 29 ensaios clínicos, somando 1617 participantes, sendo observado que dietas com baixo IG e CG acarretaram em relevante redução na hemoglobina glicada (desfecho primário) quando comparada com dieta padrão usada como controle, diferença média de -0,31% (IC 95% -0,42% a -0,19%), alta certeza de evidência.

Esse perfil dietético também apresentou redução moderada nos níveis de colesterol não-HDL (diferença média de -0,20 mmol / L (IC 95% -0,33 a -0,07) e reduções também importantes, mas menores, nos níveis de LDL-C (-0,17 mmol/ L (-0,25 a -0,08), apo B (-0,05 g / L (-0,09 a -0,01), triglicerídeos (-0,09 mmol / L (-0,17 a -0,01), peso corporal (-0,66 kg (-0,90 a -0,42), IMC (-0,38 (-0,64 a -0,13). A redução na glicemia de jejum e no perfil inflamatório por meio da dosagem da proteína C reativa, não se destacaram em magnitude.

Não foi encontrada redução significativamente estatística quando observado impacto da dieta nos valores de insulina sérica, HDL-C, circunferência abdominal e pressão arterial.

A análise sistemática do perfil de dieta com esses pontos estudados é muito relevante uma vez que os mesmos compõem fatores de risco para desfechos cardiometabólicos graves como infarto agudo do miocárdio e acidentes vasculares cerebrais

O estímulo para um perfil dietético que significativamente melhore perfis metabólicos da doença é de grande importância quando associado com as terapias farmacológicas, culminando em uma possibilidade importante de serem alcançados, mais facilmente e até com menos dosagem medicamentosa, os alvos terapêuticos nos pacientes.

Segundo recomendações da Sociedade Brasileira de Diabetes, os planos alimentares no diabético também devem seguir um perfil balanceado quando analisadas as proporções de macro e micronutrientes (por exemplo, carboidratos entre 45-60% e gorduras entre 20-35%).

Sendo fundamental uma proposta individualizada com a realidade de vida do paciente, com mudanças graduais e usando ferramentas como manuais para ilustrar porções alimentares e lista de substituições de alimentos equivalentes.

Leia também: Diabetes mellitus gestacional: qual é o tratamento?

Mensagem prática

O estudo mostra a relevância do efeito dietético com baixo índice e carga glicêmica nas metas terapêuticas e controle metabólico, diretamente implicados nos desfechos cardiovasculares dos pacientes.

É ressaltada dessa forma, a importância do perfil alimentar como um constituinte central do manejo dos pacientes diabéticos, assim como os já bem estudados impactos da atividade física e os incontestáveis benefícios da terapia farmacológica.

Essencial observar que a intervenção alimentar é algo complexo pois se relaciona com convicções pessoais, culturais e socioeconômicas, devendo ser conduzida de forma gradual e com apoio multidisciplinar.

*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED

Autor:

Referências bibliográficas:

 

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Publicado por
Johnatan Felipe Ferreira da Conceicao

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