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Um estudo publicado na versão online da American Academy of Neurology, em junho deste ano, indica que mulheres de meia-idade têm mais chances de apresentar alterações no cérebro relacionadas ao Alzheimer, mesmo quando não há sinais de mudanças no que diz respeito ao raciocínio e a memória.

Segundo os pesquisadores, a descoberta pode estar ligada ao período da pós-menopausa, quando o estrogênio deixa de ser produzido.

“Neste estudo, mostramos pela primeira vez que as mulheres desenvolvem mudanças no cérebro relacionadas à doença de Alzheimer mais cedo do que os homens. Portanto, não é apenas o fato de as mulheres viverem mais; também começamos a mostrar os sinais reveladores da doença de Alzheimer no início da vida, especificamente na meia-idade”, afirmou Lisa Mosconi, Ph.D., da Weill Cornell Medicine, em Nova York, nos Estados Unidos.

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Em uma palestra realizada em 2018, a especialista já pontuava que, embora o Alzheimer remeta ao envelhecimento, esta é uma doença que começa na meia-idade. E a sua prevenção depende muito de hábitos saudáveis ao longo da existência. Assista aqui ao vídeo de um trecho da palestra em inglês.

Como foi realizado o estudo

O estudo envolveu 85 mulheres e 36 homens, com idade média de 52 anos, sem qualquer comprometimento cognitivo. Todos os participantes apresentavam histórico familiar de Alzheimer, um quadro semelhante de pressão arterial, assim como pontuações semelhantes em testes de pensamento e memória.

O grupo se submeteu a ressonâncias magnéticas cerebrais (RM) e a tomografias por emissão de pósitrons, chamadas de PET Scan (Positron Emission Tomography), para detectar a presença de placas beta-amiloides no cérebro, um biomarcador associado ao Alzheimer.

Foram comparados diversos aspectos do órgão: o volume de massa cinzenta e de massa branca, o nível de placas beta-amiloides e a taxa de metabolismo de glicose, que indica o seu grau de atividade. As participantes mulheres tiveram piores indicadores que os homens em todos os quesitos.

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As mulheres tiveram pior pontuação em todas as quatro medidas. Em média, elas tinham 30% mais placas de beta amiloide no cérebro e 22% menos metabolismo de glicose do que eles. Ao medir o volume médio de massa cinzenta, as mulheres tiveram 0,73 centímetros cúbicos (cc /cm 3 ) em comparação aos homens que apresentavam 0,8 cm 3 , uma diferença de 11%. Para o volume médio de substância branca, elas tiveram 0,74 cm 3 em comparação com eles, que tiveram 0,82 cm 3 , uma diferença de 11%.

“Embora todos os hormônios sexuais estejam provavelmente envolvidos, os achados sugerem que o declínio no estrogênio está envolvido nas anormalidades do biomarcador de Alzheimer nas mulheres que observamos. O padrão de perda de substância cinzenta, em particular, mostra sobreposição anatômica com a rede de estrogênio no cérebro”, diz Lisa Mosconi.

A pesquisadora ressaltou que uma limitação do estudo é que apenas pessoas saudáveis ​​de meia-idade sem doença cerebral ou cardiovascular grave participaram. Serão necessários estudos maiores que acompanhem os participantes durante um período maior de tempo.

*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED

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