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Pesquisa científica: vamos publicar?

Tempo de leitura: 3 minutos.

O que nos move não são as respostas, mas as perguntas. E, o grande diferencial é saber fazer os questionamentos corretos. Em meu primeiro editorial, gostaria de incentivar aos colegas o caminho extraordinário da pesquisa científica, na qual eu ainda me considero aprendiz.

Ciência é o “conjunto de conhecimentos fundados sobre os princípios corretos”. E a Medicina assume o exemplo máximo dessa definição, em todas as suas dimensões. Afinal, essa transcende a intelectualidade e a arte ao lidar com o imutável e intransferível, a vida. Então, ser um cientista, em sua essência verdadeira, compreende um pesquisador cuja busca pelo conhecimento é pautada na ética e, indiscutivelmente, na paixão pelo tema.

Retrato fidedigno desse sentimento inspirador é o artigo “Why Should I Publish?”, do renomado oftalmologista Dr. Marcony Santhiago, referência mundial em cirurgia refrativa. Leitura fundamental para todo médico que deseja se aventurar nessa jornada árdua e gratificante simultaneamente. Afinal, a autodescoberta do potencial de construir, criar e incentivar outras pessoas permite uma epifania incomparável em algum momento de sua trajetória: “Está no meu sangue”, como diria o professor.

A pesquisa científica é a ferramenta imprescindível para a evolução médica, seja nas novas ferramentas diagnósticas ou terapêuticas. Fazer parte desse processo vai muito além de prestígio ou reconhecimento acadêmico, mas a autoconsciência de que estamos construindo um verdadeiro legado para a humanidade.

Para ser um excelente pesquisador três itens são fundamentais: disciplina, ética e paixão. Afinal, é um processo trabalhoso que envolve compromisso extremo, caráter para fazer as escolhas certas e afinidade plena pelo objeto de estudo.

Para o desenvolvimento de um projeto de qualidade, construção de um raciocínio clínico e senso crítico só é possível a partir da imersão profunda na literatura, médica ou não. Porque o poder argumentativo só se lapida pela leitura inesgotável de artigos científicos, sabedoria técnica sobre o assunto e, incrivelmente, pelo conhecimento geral de obras não-médicas, com outros mestres também referência para nós.

Vamos nos inspirar e concomitantemente criar nossa singela individualidade, porque a diversidade literária é um dos pontos mais atraentes do conhecimento. Afinal, em analogia, é possível citar Drummond sem excluir João Cabral, chorar com Racine e rir com Moliére e encantar-se com Jane Austen sem se antipatizar com Charlotte Brontë.

Sejamos juntos a coexistência da mais bela das artes, a inspiração para os que nos sucederão e, o exemplo de que sorte e sucesso só são conquistados depois de muita abdicação, dedicação e, irrevogavelmente, humildade.

Por fim, seja curioso, faça perguntas, arrisque-se, supere expectativas, tenha coragem para aceitar o “NÃO” e sabedoria para nunca desistir do “SIM”. E, o mais importante, acima de qualquer premissa ou verdade, acredite sempre em si mesmo.

Vamos descobrir o Moacyr Scliar, o Guimarães Rosa ou o Tcheknov adormecidos em nós?

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Autora:

 

Referências:

  • Santhiago, Marcony R. “Why should I publish?”. Revista Brasileira de Oftalmologia (IMPRESSO), vol. 76, p 5-6, 2017.

Um comentário

  1. Raissa Nunes

    inspirador!

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