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Pesquisadores avaliam excesso de suicídios no Brasil na primeira onda de Covid-19

Tempo de leitura: 2 min.

Um estudo realizado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) avaliou o comportamento dos suicídios no Brasil em 2020. Os resultados mostraram parte dos efeitos indiretos associados à primeira onda da pandemia de Covid-19 sobre os óbitos por suicídio, com aumento significativo nas regiões Norte e Nordeste, socioeconomicamente mais vulneráveis.

O artigo “Excesso de suicídios no Brasil: desigualdades segundo faixas etárias e regiões durante a pandemia de Covid-19”, publicado no International Journal of Social Psychiatry, aponta que o excesso de suicídios alcançou 26% em homens a partir de 60 anos da região Norte.

No caso das mulheres de 30 a 59 anos da região Norte, durante dois bimestres consecutivos, também houve excesso de suicídios. O mesmo padrão foi observado nas nordestinas a partir de 60 anos, com excesso de suicídios de 40%.

Mais de seis milhões de óbitos diretos em todo o mundo

A pandemia já resultou em mais de seis milhões de óbitos diretos em todo o mundo e outras centenas de milhares de óbitos indiretos, como o suicídio. Os pesquisadores destacam que os países de baixa e média renda, como o Brasil, foram severamente atingidos, não somente pelos efeitos diretos sobre a mortalidade, mas também por seus efeitos indiretos em outras causas de óbito.

Os dois autores do artigo explicam que essa a conclusão do estudo foi de que, apesar da diminuição geral (13%) na taxa de suicídios no Brasil no período avaliado, houve um excesso substancial de suicídios em diferentes faixas etárias e sexos das regiões Norte e Nordeste do país.

Saiba mais: Orientações ao médico: como abordar o paciente que tentou suicídio?

Efeitos da pandemia sobre o suicídio

Os efeitos da pandemia de Covid-19 sobre o suicídio no Brasil podem ser observados a partir de sua alta ocorrência nas regiões Norte e Nordeste.

“Embora na fase inicial da pandemia, especialistas e cientistas renomados tenham predito forte aumento mundial no número de suicídios devido à grave crise sanitária, de forma geral, houve decréscimo de 13% nos suicídios na população brasileira em geral entre março e dezembro de 2020. No entanto, em determinadas circunstâncias, observou-se aumentos”, avaliou um dos autores do estudo, o epidemiologista Jesem Orellana, do Instituto Leônidas & Maria Deane (Fiocruz Amazônia), em entrevista ao portal da Fiocruz.

“Nosso trabalho evidencia a importância de tratar o suicídio para além de um problema de saúde individual, pois essa é uma questão com profunda relação com as desigualdades econômicas e de acessos aos serviços sociais e de saúde pública”, explicou o médico psiquiatra Maximiliano Ponte, da Fiocruz Ceará, também autor do estudo.

Segundo o médico psiquiatra, o trabalho evidenciou que os idosos das regiões Norte e Nordeste foram os mais vulneráveis ao aumento de casos de suicídios, uma vez que carregam o duplo fardo de lidarem com fatores de risco tanto em relação à Covid-19 quanto à mortalidade por suicídio.

“Nessa faixa etária, incidem de forma simultânea dois problemas que acabam atuando conjuntamente: maiores riscos para o suicídio e os maiores riscos para a Covid-19, fatores que se retroalimentam”, defendeu Maximiliano Ponte, lembrando que as duas regiões tiveram alta mortalidade por Covid-19 durante a pandemia.

Para Jesem Orellana, o estudo também alerta para a possibilidade de efeitos indiretos ainda mais fortes sobre os suicídios a partir de 2021, uma vez que o impacto direto pandêmico foi ainda mais severo no ano passado.

O epidemiologista destacou, ainda, que o trabalho pode contribuir não apenas ao planejamento de ações voltadas para mitigar os efeitos pandêmicos, mas, também, para a melhoria dos sistemas de informação sobre mortalidade em regiões vulneráveis e que gerenciaram pobremente a epidemia.

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Publicado por
Úrsula Neves

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