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Pesquisadores descobrem sinais de Parkinson no cérebro até 20 anos do seu início

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Pesquisadores acreditam que conseguiram identificar os primeiros sinais da doença de Parkinson no cérebro,  15 a 20 anos antes dos sintomas aparecerem. Exames realizados em um pequeno número de pacientes considerados de alto risco mostraram disfunções no sistema de serotonina dos cérebros.

Os pesquisadores do King’s College London, que conduziram o estudo, dizem que a descoberta pode levar a novas ferramentas de monitoramento e tratamentos. Porém, antes será necessário realizar estudos mais amplos e tornar os exames mais acessíveis.

De acordo com responsáveis pela descoberta, em um artigo publicado na revista científica Lancet Neurology, as mudanças nos níveis de serotonina no cérebro acontecem primeiro e podem agir como um sinal de alerta precoce.

Metodologia aplicada

Neste estudo transversal, foram recrutadas pessoas com mutações raras no gene SNCA, portadores da mutação A53T SNCA das clínicas especializadas em Distúrbios do Movimento em Atenas, Grécia, e Salerno, Itália. Foi utilizada uma coorte de controles saudáveis, ​​sem história pessoal ou familiar de distúrbios neurológicos ou psiquiátricos de Londres, Reino Unido (recrutado através de publicidade pública) com idade compatível com os transportadores A53T da SNCA.

Também foram recrutadas uma coorte de pacientes com doença de Parkinson idiopática (coorte 1) das clínicas de Distúrbios do Movimento em Londres, Reino Unido. Os pesquisadores obtiveram dados de uma segunda coorte de pacientes (coorte 2; n = 40) que foram digitalizados com um scanner diferente. O registro contínuo de sete dias da função motora foi utilizado para determinar o estado da doença de Parkinson dos portadores de A53T.

Para avaliar se anormalidades serotoninérgicas estavam presentes foi utilizada a DASC PET [11C] para quantificar a densidade do transportador de serotonina. Foram construídos mapas topográficos do cérebro refletindo os estágios de 1 a 6 de Braak. Além disso, todos os participantes foram submetidos a uma bateria de avaliações clínicas para determinar os sintomas motores e não motores e o estado cognitivo. E também foram submetidos a SPECT para avaliar a ligação do transportador de dopamina do corpo estriado e ressonância magnética para análises volumétricas.

Saiba mais sobre essa doença: Qual é a diferença entre doença de Parkinson e tremor essencial?

Conclusões do estudo

Devido à mutação do gene altamente penetrante e às características clínicas consistentes com a doença de Parkinson idiopática, os portadores da mutação pontual autossômica dominante Ala53Thr (A53T; 209G → A) no gene da α-sinucleína (SNCA) são uma população ideal para estudar a fase pré-motora e evolução da patologia de Parkinson.

Metade desse grupo já havia sido diagnosticado com Parkinson, Já a outra metade ainda não apresentava nenhum sintoma, fazendo deles candidatos ideais para estudar como a enfermidade se desenvolve.

Ao comparar o cérebro desse grupo com o de outros 65 pacientes com Parkinson e 25 voluntários saudáveis, foram identificadas mudanças cerebrais precoces em pacientes na faixa de 20 e 30 anos. As alterações foram encontradas no sistema da serotonina.

“Nossos resultados sugerem que a detecção precoce de alterações no sistema de serotonina poderia abrir portas para o desenvolvimento de novas terapias para retardar e, finalmente, prevenir a progressão da doença de Parkinson”, explica Marios Politis, do Instituto de Psiquiatria, Psicologia e Neurociência do King’s College, principal autor do estudo.

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