Pitiríase rósea: O que todo médico precisa saber?

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A pitiríase rósea é caracterizada por uma lesão inicial em “medalhão”, seguida por uma erupção cutânea. Esta erupção papuloescamosa é aguda e autolimitada, durando em média cerca de um a três meses. A erupção generalizada é geralmente precedida por uma mancha de arauto no tronco; seguida por manchas ovais escamosas no tronco e extremidades proximais, ao longo das linhas de Langer (linhas de clivagem), conferindo uma aparência de “árvore de Natal”. 

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pitiríase rósea

Epidemiologia

A doença é mais comum em adolescentes e adultos jovens, entre 10 a 35 anos de idade. Alguns estudos relatam que as mulheres são mais afetadas do que os homens. O quadro dura de seis a oito semanas. Os dados sobre a variação sazonal são conflitantes, mas alguns estudos mostram uma prevalência mais alta na primavera e outono.

Fisiopatologia 

A causa exata da pitiríase rósea não é bem elucidada, mas características como variação sazonal e aglomeração nas comunidades sugerem uma etiologia infecciosa. Infecções como vírus, bactérias, e espiroquetas são causas possíveis. As infecções do trato respiratório superior que precedem a pitiríase rósea sugerem um papel do estreptococo.  

Recentemente, a reativação do herpesvírus-6 humano latente e a infecção por herpesvírus-7 humano foram encontrados como os possíveis agentes etiológicos. Erupções semelhantes à pitiríase rósea foram relatadas após vacinações com Bacillus Calmette-Guerin (BCG), influenza, H1N1, difteria, varíola, hepatite B e pneumococo. Erupções também foram observadas com uso de drogas como captopril, barbitúricos, D-penicilamina e clonidina. 

Características clínicas 

Na pitiríase rósea clássica, ocorre o aparecimento de uma lesão solitária no tronco, chamada de “medalhão mãe”. Este medalhão é uma placa ou mácula com margem centrífuga, discretamente elevada; com descamação em colarete na borda, e descamação fina central; coloração salmão ou cor da pele; e tamanho de dois a quatro centímetros.  

Após alguns dias de seu aparecimento, surge uma erupção de pápulas e placas, arredondadas e ovais, com descamação fina central e colarete na borda, bem característica, localizadas principalmente no tronco e extremidades proximais. Elas se distribuem nas linhas de força de Langer, conferindo um padrão em “árvore de natal”. Em geral, são poupadas a face, e as regiões palmar/plantar. Esse quadro dura cerca de seis a oito semanas, desaparecendo espontaneamente, sem qualquer tratamento. Alguns pacientes podem permanecer com lesões por cinco a seis meses.

Como fazer o diagnóstico?

Uma revisão da Cochrane observou que vários investigadores usaram diferentes critérios de inclusão / exclusão em seus estudos, o que dificulta a realização de revisão sistemática ou meta-análise sobre o tema. Assim, alguns critérios para estabelecer o diagnóstico de pitiríase rósea, típica e atípica, foram propostos, como a necessidade de apresentar características clínicas essenciais em pelo menos uma consulta, e não apresentar nenhuma característica clínica exclusiva. 

As características clínicas essenciais são: lesões circulares ou ovais, discretas; dimensionamento na maioria das lesões; e descamação de colarinho periférico com folga central em pelo menos duas lesões. 

As características clínicas exclusivas são: várias pequenas vesículas no centro de duas ou mais lesões; duas ou mais lesões nas superfícies da pele palmar ou plantar; e evidência clínica ou sorológica de sífilis secundária. 

A confiabilidade e aplicabilidade desses critérios em todos os grupos étnicos ainda é incerta. A biópsia de pele é pouco utilizada, uma vez que o exame histopatológico demonstra apenas alterações inespecíficas.

Diagnóstico diferencial 

A pitiríase rósea pode ser difícil de diagnosticar, especialmente no início dos sintomas. Outros exantemas virais não específicos podem ser confundidos com pitiríase rósea e o diagnóstico diferencial é importante. Nenhum teste não invasivo consegue confirmar o diagnóstico. 

O diagnóstico diferencial inclui: eritema multiforme, psoríase gutata, sarcoma de Kaposi, líquen plano, parapsoríase, sífilis congênita, dermatite seborréica, pitiríase alba, tineas corporis, e tinea versicolor.

Tratamento 

O curso da pitiríase rósea é autolimitado, ou seja, o paciente deve ser tranquilizado e orientado sobre o curso natural da doença. A maioria dos pacientes não requer qualquer tratamento. Explique aos pacientes que a pitiríase rósea é uma condição autolimitada, não contagiosa, e geralmente se resolve dentro de um a três meses.  

Caso exista prurido, o tratamento recomendado são os anti-histamínicos orais, associados, ou não, aos corticosteroides tópicos de baixa ou média potência. Nestes casos, os pacientes podem ser tratados com emolientes, anti-histamínicos e esteroides tópicos. O tratamento geralmente é apenas sintomático, e atualmente não existem boas evidências para um tratamento específico.  

Pacientes com doença mais grave, ou aqueles que optam por tratamento ativo, devem pesar os benefícios potenciais de uma resolução mais rápida contra os efeitos adversos associados a estas terapias. Algumas opções de tratamento incluem: luz solar natural, fototerapia ultravioleta, corticosteroides tópicos, anti-histamínicos, dapsona, e macrolídeos (eritromicina). A terapia ultravioleta B de banda estreita também é usada. Ele age alterando a resposta imunológica da pele. No entanto, são necessários mais ensaios clínicos randomizados.

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Conclusão

A pitiríase rósea é um diagnóstico às vezes difícil, baseado principalmente em critérios clínicos. No entanto, seu curso é autolimitado, e a maioria dos casos pode ser mantida em tratamento expectante. Assim, a orientação dos pacientes sobre o caráter benigno e não infectante da doença é fundamental.

Referências bibliográficas:

 

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