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estetoscópio pendurado no pescoço do médico

Politica, religião e saúde pública: o que realmente nós médicos devemos saber nas entrelinhas

Tempo de leitura: 4 minutos.

Recentemente, o Presidente dos Estados Unidos, e como todo político, tomou uma resolução de descontinuar os programas de controle de natalidade, especialmente entre os adolescentes americanos. O que isso significa? O que isso tem a ver conosco, aqui no hemisfério sul?

Bem, para começar, essa atitude de proibição de ingresso, nos EUA, de algumas comunidades islâmicas visa a constatação da seguinte realidade que nos foge aos olhos. O mundo será islâmico nos próximos 35 anos. Qual o desespero do homem mais poderoso da terra, que tem como preconceito das minorias e um ódio enrustido ao islã e demais etnias não americanas, ao constatar esse fato, que na realidade não há mais volta, inclusive na Europa.

Conforme pesquisa do Pew Research Center, os muçulmanos ultrapassarão o número de cristãos no mundo na década de 2050. Isto pode concretizar o Choque das Civilizações e a Reconstrução da Nova Ordem Mundial de Huntington?

O Pew Research Center é um dos mais importantes “pensadores” dos Estados Unidos, com sede na capital americana, em Washington. Segundo o estudo chamado “The Future of World Religions: Populations Growth Projections, 2010 – 2050”, a religião muçulmana alcançará o mesmo número de cristãos no mundo em 2050, e possivelmente, pela primeira vez na história, vai predominar como a maior em 2070.

Em resumo, o estudo descreve que devido a obtenção de uma população mais jovem e com uma alta taxa de fertilidade, os islâmicos tendem a crescer seu número de praticantes no mundo, diferentemente dos cristãos. Isso seria um estratagema político para a dominação do mundo pelo islamismo? A velha máxima de dominação de uma religião pela outra? Uma nova “cruzada”, só que às avessas?

Apesar de a religião católica representar mais de um terço da população mundial, vários aspectos influenciam na diminuição gradativa dos cristãos no mundo. A Europa é um exemplo nítido disso. O atual problema demográfico do velho continente é grave e preocupante. A taxa de fertilidade dos europeus é baixa, e não custa concluir que além dos fatores políticos e econômicos, o fator demográfico também colabora consideravelmente para a crise. Um dos exemplos mais surpreendentes do problema demográfico está na Alemanha, onde 40% de sua população terá mais de 60 anos em 2050. Em Portugal, constata-se o mesmo.

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Seguindo outro rumo, os muçulmanos têm uma taxa de fertilidade alta e com tendência a crescer. Pode-se notar isso na Palestina ocupada. Quase metade da população palestina tem menos de 14 anos, e a média de idade é de 17 anos. Sem a proteção devida dos direitos fundamentais com as famílias, as mulheres muçulmanas convivem com o medo da guerra e da grande possibilidade de perderem seus filhos. Através disto, elas têm muitos filhos, todos com uma diferença mínima de idade. Até mesmo aquelas com maiores níveis de educação acabam por ter um número considerável de filhos.

Nota-se que, ao engravidar várias vezes pelo medo de perder filhos no conflito, as palestinas desenvolvem, assim, um senso instintivo de sobrevivência. Isto ocorre quando existem demasiadas violações de direitos humanos com a população, pois a fertilidade é uma das poucas liberdades que sobraram ao povo palestino. E isto pode se aplicar também em outras regiões conflituosas no Oriente Médio, como na Síria e Iraque.

Dessa maneira, ao presenciar os atuais protestos contra o islamismo no mundo, pode-se prever que o mundo vai ser reordenado pelas tensões de países com diferentes religiões e etnias. É o que justamente descreveu Samuel Huntington, em 1996, no seu livro Choque das Civilizações e a Reconstrução da Nova Ordem Mundial.

Destaca, assim, o fator religioso como primordial para criar tensões no cenário internacional. Para ele, o mundo seria dividido por oito civilizações, entre elas a ocidental, latino-americana e islâmica, sendo que os conflitos tenderiam a ocorrer ao longo das linhas de cisão destas denominadas civilizações.

Contudo, o crescente embate entre “ocidente x oriente”, no qual o fanatismo extremo, tanto dos dois lados, como também a “ameaça islâmica” difundida pelo ocidente através do surgimento do terrorismo, tudo isso colabora para sustentar a tese de Huntington.

Basta saber se, com o crescimento demográfico de religião muçulmana, em 2050 vamos nos deparar com um mundo conflituoso, dividido por culturas e religiões.

É por isso que Trump, fundamentalmente, tira o incentivo da educação dos jovens, com politica do não controle da natalidade, para num esforço contrário ao que nós médicos aprendemos, no planejamento familiar, de que há a necessidade de se conseguir educar de forma ordenada e justa, política que infelizmente não acontece em nosso país, com políticas de “populismo”, com bolsas e etc.

Cada um pensa em aumentar a população da sua forma: uns com medo do Islamismo e outros para a perpetuação no poder, principalmente no terceiro mundo. Aliás, os islâmicos têm interesse em nosso país?

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Referências:

  • http://www.pewresearch.org/
  • The future of World Religions: Population Growth Projection
  • Choque das Civilizações e a Reconstrução da Nova Ordem Mundial – Samuel Huntington

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