Psiquiatria

Poluição pode estar associada a maior risco de bebês com autismo

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O transtorno do espectro autista (TEA), ou autismo, é uma condição que acomete os indivíduos geralmente nos três primeiros anos de vida e dificulta a interação social e o desenvolvimento de habilidades comunicacionais. O diagnóstico do autismo é realizado com base na história clínica, no exame físico (incluindo exame neurológico), na avaliação do desenvolvimento cognitivo, social e de linguagem da criança, e nos critérios dos DSM-5. Quanto mais cedo o transtorno for identificado maiores são as chances de a criança ter uma melhor qualidade de vida em sociedade.

As causas do autismo são desconhecidas, porém pesquisas apontam que alguns fatores podem influenciar no desenvolvimento do TEA, como hereditariedade, apesar de ainda não haver uma identificação de qual gene seria responsável por transmitir o autismo. Outros fatores externos podem estar relacionados, como o estresse da mãe durante a gravidez, exposição materna a substância tóxicas, complicações na gestação e desequilíbrio hormonal.

Leia mais: Autismo: 5 fatos sobre a evolução dos casos nos últimos anos

Um estudo realizado recentemente associou a qualidade do ar ao autismo. Pesquisadores canadenses analisaram a natalidade no país entre 2004 e 2009, e acompanharam o caso até 2014, para determinar se a relação entre autismo e poluição é verdadeira. Os resultados do levantamento foram publicados no periódico Jama Pediatrics em novembro de 2018.

O estudo de coorte analisou 132.256 nascimentos, dentre os quais 1307 bebês foram diagnosticados com transtorno do espectro autista aos cinco anos de idade. Os níveis de poluição foram medidos mensalmente na residência materna durante a gestação. Foi observada nesses ambientes a presença de agentes químicos como PM2.5 (material particulado fino com menos de 2.5 µm), óxido nítrico (NO) e dióxido de nitrogênio (NO2)

A Odds ratio ajustada (AOR) foi insignificante para a exposição ao PM2.5 durante a gravidez, ou seja, o material não influenciou no desenvolvimento de altismo (AOR 0,04 IC 95% [0,98-1,10] por 1.5 μg/m3). A presença de dióxido de nitrogênio impactou de maneira semelhante nos resultados (AOR 1,06 IC 95% [0,99-1,12]).

No entanto, o risco de autismo foi 7% maior nos lares onde havia mais concentração de óxido nítrico (1,07; IC 95% [1,01-1,13]).

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*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED

Referências:

  • Pagalan L, Bickford C, Weikum W, et al. Association of Prenatal Exposure to Air Pollution With Autism Spectrum Disorder. JAMA Pediatr. Published online November 19, 2018. doi:10.1001/jamapediatrics.2018.3101
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Publicado por
Roberto Caligari
Tags: autismo

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