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Pré-eclâmpsia e hipertensão gestacional: atualizações do ACOG 2019

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Os distúrbios hipertensivos complicam cerca de 2-8% de todas as gestações no mundo e constituem uma das principais causas de mortalidade materna e perinatal. Na América Latina e Caribe, estima-se que 26% dos óbitos maternos sejam devidos à hipertensão, enquanto nos países desenvolvidos essa incidência é em torno de 16%.

O American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG) publicou um novo guideline para manejo da pré-eclâmpsia (PE) e hipertensão gestacional (HG). Confira os principais tópicos.

pre eclampsia

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Pré-eclâmpsia e hipertensão gestacional

– Rastrear pacientes de baixo risco para desordens hipertensivas na gestação com biomarcadores ou ultrassonografia está associado a um valor preditivo positivo baixo (8-33%), independentemente do método utilizado e não são capazes de predizer PE.

– No que diz respeito à prevenção das desordens hipertensivas na gestação, o uso de AAS em baixa dose está recomendado em mulheres consideradas de alto risco (pelo menos um dos seguintes: antecedente de PE, especialmente se desfecho adverso, gestação multifetal, diabetes tipo 1 ou 2, doença renal, doença autoimune – lúpus, síndrome do anticorpo antifosfolipídio).

O AAS deve ser considerado em mulheres com risco moderado (um ou mais dos seguintes: nulíparas, obesas, história familiar de PE, idade maior que 35 anos, desfecho adverso em gestação anterior, intervalo intergestações maior que 10 anos, pacientes afrodescendentes, pacientes com baixo nível socioeconômico, história pessoal de baixo peso ao nascer ou pequeno para a idade gestacional).

O AAS deve ser iniciado entre 12-28 semanas (preferencialmente antes da 16ª semana de gestação) e deve ser mantido até o parto. A suplementação de cálcio só tem evidência de reduzir risco de doença hipertensiva na gravidez nas pacientes que tem baixa ingesta.

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– A hipertensão gestacional não é menos preocupante que a pré-eclâmpsia e talvez não sejam entidades distintas. É recomendado que gestantes com HG que apresentem um dos seguintes critérios de gravidade, na ausência de proteinúria, sejam diagnosticadas como PE: plaquetas abaixo de 100.000, TGO e TGP acima do dobro do limite superior do valor de referência, creatinina maior que 1,1 ou o dobro da creatinina basal na ausência de doença renal, edema pulmonar, dor persistente em hipocôndrio direito ou região epigástrica, alterações visuais ou cefaleia de início recente não responsiva a medicamentos. Mulheres com HG e critério de gravidade pressórico (PAS maior ou igual a 160 e /ou PAD maior ou igual a 110) devem ser manejadas como PE grave.

– Para mulheres com HG ou PE sem sinais de gravidade com idade gestacional igual ou superior a 37 semanas, é recomendada a interrupção da gestação em vez do manejo expectante. Se diagnosticada antes de 37 semanas, o manejo expectante até 37 semanas é recomendado, com monitoração materna e fetal frequentes (USG para avaliação de crescimento fetal a cada 3-4 semanas e avaliação de líquido amniótico no mínimo uma vez na semana). Além disso, também está recomendada cardiotocografia anteparto uma ou duas vezes na semana.

– Quando a PE tem sinais de gravidade e é diagnosticada com 34 semanas ou mais, a interrupção da gestação é recomendada após estabilização materna e não deve ser postergada para administração de corticoide no período pré-termo tardio.

– A possibilidade de conduta expectante para as hipertensas com sinais de gravidade diagnosticadas com menos de 34 semanas deve ser cuidadosamente avaliada e individualizada, em um cenário com recursos apropriados para assistência materna e neonatal. A interrupção está recomendada a qualquer momento caso haja deterioração da condição materna e/ou fetal.

– A terapia anti-hipertensiva deve ser prontamente iniciada nos casos de hipertensão grave aguda persistente (PAS maior ou igual a 160 e/ou PAD maior ou igual a 110 mmHg, por 15 minutos ou mais).

– O sulfato de magnésio deve ser utilizado como prevenção e tratamento de convulsões em mulheres com PE e HG com sinais de gravidade ou eclâmpsia.

– O uso de anti-inflamatórios não esteroidais é preferível aos opioides para analgesia no pós-parto. Puérperas com PE em uso de sulfato de magnésio profilático não demonstraram alterações significativas em relação à pressão arterial, necessidade de aumento de dose de anti-hipertensivos ou outros efeitos adversos quando em uso de AINE.

– O bloqueio anestésico de neuroeixo é considerado aceitável e o risco de hematoma epidural é baixo em pacientes com plaquetas igual ou acima de 70.000, sem história de coagulopatia, com função plaquetária normal que não estejam em terapia anticoagulante ou uso de antiplaquetários.

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