Ginecologia e Obstetrícia

Pré-eclâmpsia em gravidez posterior e fatores de risco

Tempo de leitura: 2 min.

A pré-eclâmpsia é uma doença sistêmica caracterizada por aumento de pressão arterial e proteinúria aparecendo após as 20 semanas de gravidez. Nos EUA, de 2 a 8% das gestações evoluem com pré-eclâmpsia. A doença tem maior incidência em mulheres negras (1,5 vezes mais quadros graves e mais de 3 vezes incidência de pré-eclâmpsia sobreposta à hipertensão crônica que em mulheres brancas). A identificação de fatores de risco pré-concepções são importantes para prevenção da patologia, entre eles os fatores cardiometabólicos. Por exemplo, uma mulher sabidamente hipertensa prévia tem 5 vezes mais chance de desenvolver pré-eclâmpsia, já uma diabética prévia à gravidez de 3 a 4 vezes mais chances.

Leia também: Avaliação do fator de crescimento placentário em mulheres com suspeita de pré-eclâmpsia

A maioria dos estudos tem focado no ganho de peso ou no IMC prévio como fatores de risco em populações de mulheres brancas. Poucos estudos utilizam fatores cardiometabólicos (diabetes crônico, hipertensão crônica, diabetes gestacional, partos prematuros) em estudos longitudinais observando desde o período pré-gravídico, durante a gravidez e o período intergestacional. 

Estudo recente

Um grande estudo do Journal of American Heart Association de 2021 utilizando uma grande coorte de mulheres de várias raças, analisou fatores cardiometabólicos em gestações em sequência de um total de 618 mulheres atendidas no Boston Medical Center no período de 1998 a 2015.

Saiba mais: Gestante com diagnóstico de pré-eclâmpsia: quando realizar o parto?

Os achados interessantes de fatores como obesidade, diabetes mellitus e hipertensão crônica foram considerados tanto isolados como em associação, fatores de risco tanto pré-gravídicos como interpartal para o desenvolvimento de pré-eclâmpsia em gestações atuais e futuras. 

Conclusão

A implicação clínica desses fatores modificáveis deve ser objeto de atenção das equipes de saúde de modo a tornar a prevenção efetiva, a gravidade da pré-eclâmpsia neste grupo menor, e prevenir também o desenvolvimento de doenças cardiovasculares pós-gestacionais nessas mulheres, já que um evento de pré-eclâmpsia durante a gravidez eleva o risco de aparecimento ou complicação de doenças cardiovasculares no pós-parto. 

Autor(a):

Referências bibliográficas:

  • Ogunwole SM, et al. Preeclampsia Across Pregnancies and Associated Risk Factors: Findings From a High‐Risk US Birth Cohort. Journal of the American Heart Association. Ahead of print;0:e019612. doi: 10.1161/JAHA.120.019612
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Publicado por
João Marcelo Martins Coluna

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