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Pregabalina é opção segura para o tratamento agudo da fibromialgia?

Tempo de leitura: 2 minutos.

Um acometimento bastante limitante da qualidade de vida é a fibromialgia. Com um impacto na capacidade laboral e funcional do indivíduo, é uma das síndromes de maior desafio na prática clínica. Abordamos a terapia para casos refratários com a possibilidade do uso de antipsicóticos. Contudo, como se dá a terapia aguda para os casos de fibromialgia?

A pregabalina é uma droga bastante versátil. Recentemente, abordamos aqui no portal PEBMED seu uso para tratamento de dor neuropática. Tendo se mostrado também útil para casos específicos de controle de sintomas ansiosos, como já abordamos também aqui no portal no último mês. Trazemos hoje uma outra metanálise conduzida pelo The NNT Group acerca do uso no cotidiano do tratamento agudo da fibromialgia.

Para esse estudo foram incluídos os trials de melhor qualidade metodológica alocados na base de dados da biblioteca Cochrane em uma revisão sistematizada de literatura com metanálise. Os resultados da análise indicaram que houve uma melhora no desfecho dor em 9% dos pacientes do grupo intervenção, com um número necessário para tratar (NNT) de 11,1.

Isso significa que a cada 11 pacientes tratados um manifestou redução da dor aguda associada à fibromialgia. Os estudos mostraram um benefício moderado a substancial em 331 (36%) de 932 pacientes que receberam pregabalina em comparação com 251 (27%) de 937 pacientes que receberam placebo.

Por outro lado, os efeitos adversos associados à essa opção terapêutica também foram avaliados. Cerca de 17% dos pacientes do grupo intervenção apresentaram efeitos colaterais frente a 9% do grupo placebo. Nesse estudo a saída do estudo devido ao efeito adverso foi considerada como desfecho avaliado no número necessário para dano (NNH). O NNH do estudo foi de 11.

Ou seja, a cada 11 pacientes tratados um descontinua o tratamento devido à intolerância dos efeitos adversos. Uma limitação dessa análise é que outros desfechos secundários de efeitos colaterais insuficientes para retirada do sujeito de pesquisa do estudo não foram considerados, como sonolência e vertigem.

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Outra limitação importante a ser considerada é que a maioria dos estudos acompanhou os pacientes por 12 a 13 semanas (máximo de seis meses). Esse dado é de grande relevância para a decisão de manutenção do uso da droga se a eficácia de seu uso diminuir ao longo do tempo.

E o que muda na decisão clínica final? Para o tratamento agudo da dor associada à fibromialgia, a pregabalina se mostrou bastante eficaz, a segurança dessa eficácia se deve ao rigor e qualidade metodológica dos estudos que a avaliaram. Contudo, apenas uma parte dos pacientes responde ao tratamento, e a chance de melhora é igual à chance de intolerância ao tratamento.

Então, a decisão clínica final deve ser compartilhada com o paciente, sendo apresentado o benefício real e a chance do malefício e juntos tomar a decisão do plano terapêutico. Agora você já sabe como orientar seu paciente para essa decisão.

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Referências:

  • Derry S, Cording M, Wiffen PJ, Law S, Phillips T, Moore RA. Pregabalin for pain in fibromyalgia in adults. Cochrane Database Syst Rev. 2016;(9):CD011790.
  • Lyrica (pregabalin) [prescribing information]. Veja Baja, PR: Pfizer Pharmaceuticals. June 2012. https://www.accessdata.fda.gov/drugsatfda_docs/appletter/2016/021446orig1s030,022488orig1s010ltr.pdf.

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