Infectologia

Prescrever antibioticoterapia para infecção do trato urinário não complicada?

Tempo de leitura: 2 min.

A emergência da multirresistência bacteriana a antimicrobianos, um problema de saúde pública global, tem resultado na revisão de medidas abrangentes e urgentes na prática clínica como forma de diminuir a progressão desse fenômeno.

Um dos exemplos em discussão é sobre a necessidade de antibioticoterapia no tratamento da infecção do trato urinário (ITU), especialmente em mulheres jovens não grávidas, sem alterações funcionais ou anatômicas no aparelho urinário e sem quadro de cistite de repetição.

As diretrizes internacionais mais recentes reforçam os critérios para a decisão sobre o uso ou não de antibióticos para o tratamento de ITU e a revisão de alguns aspectos, conforme descrito abaixo:

  • Na bacteriúria assintomática (mesmo se urina turva ou leucocitúria), os pacientes não devem ser tratados com antibióticos, exceto gestantes ou pacientes que serão submetidos a procedimentos urológicos;
  • Mulheres com ITU sem fatores de risco, pacientes com diabetes controlado, mulheres na pós-menopausa, idosos institucionalizados, pacientes com disfunção e/ou reconstrução do trato urinário baixo, transplante renal prévio, pacientes a serem submetidos à artroplastia e pacientes com ITU recorrente não devem tomar antibióticos ou ser submetidas à triagem laboratorial;
  • Não é recomendada a profilaxia antibiótica antes de procedimentos invasivos urológicos como cistoscopia, urodinâmica, ou litotripsia extracorpórea por ondas de choque. Em casos necessários, recomenda-se dose única dentro dos 120 minutos antes do procedimento ou em menor período pré-operatório;
  • Mulheres sintomáticas devem receber antibioticoterapia;
  • O diagnóstico de cistite não complicada é clínico;
  • A urocultura também é dispensável nos casos citados acima, sendo necessária somente em casos de persistência (~4 semanas) dos sintomas após antibioticoterapia inicial, cistite complicada, pielonefrite aguda, gestantes e/ou previamente a procedimento urológico invasivo;
  • O controle de cura com urocultura é indicado após 1 a 2 semanas após o término do tratamento;
  • Fosfomicina em dose única ou nitrofurantoína por cinco dias atualmente consistem em prioridade como tratamento de primeira linha para cistite não complicada. As taxas de resistência às aminopenicilinas, quinolonas, e sulfametoxazol-trimetoprim são elevadas (> 40%) em diferentes regiões geográficas e não são opções iniciais para o tratamento empírico de cistite não complicada;
  • O uso de cranberry, assim como a reposição hormonal (estrogênio oral) para a profilaxia de ITU, ainda são controversos e os resultados de metanálises e revisões sistemáticas não confirmam a eficácia;
  • O uso de estrogênio vaginal ou profilaxia imunoativa são medidas profiláticas efetivas;
  • A terapia antimicrobiana profilática contínua ou pós-coito são recomendadas para prevenir ITU recorrente quando as intervenções não-antimicrobianas falharam.

Leia também: Aprovado novo antibiótico para infecção urinária complicada

Outras informações e desafios no combate à emergência da resistência a antimicrobianos nas infecções do trato urinário, podem ser observados nos artigos e revisões citados na referência.

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Referências bibliográficas:

  • Clinical Practice Guideline for the Management of Asymptomatic Bacteriuria: 2019 Update by the Infectious Diseases Society of America Clinical Infectious Diseases, Volume 68, Issue 10, 15 May 2019, Pages e83–e110.
  • G. Bonkat, R.R. Bartoletti, F. Bruyère, T. Cai, S.E. Geerlings, B. Köves, S. Schubert, F. Wagenlehner Guidelines Associates: T. Mezei, A. Pilatz, B. Pradere, R. Veeratterapillay. 2019. EAU guidelines on urological infections. Edn. presented at the EAU Annual Congress Copenhagen 2018. http://uroweb.org/guideline/urological-infections/.
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Publicado por
Rafael Duarte

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